Literatura sem fronteiras

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A Feira do Livro de Frankfurt 2011 abre amanhã, quarta-feira, com 7384 expositores de 106 países e prepara-se para receber até domingo 280 mil visitantes

Mas na terça-feira, ao final da tarde, na cerimónia oficial de abertura, os alemães deram as boas-vindas ao país convidado desta edição: a Islândia.

"Qual o livro que levaríamos para uma ilha deserta?" é a pergunta que nos tem entretido durante séculos. Será que com os leitores de ebooks e a possibilidade de levarmos vários livros num ereader, em vez de um só para uma ilha deserta, acabou com este jogo? Foi assim que Gottfried Honnefelder, presidente da Associação de Editores e Livreiros Alemães inaugurou os discursos da cerimónia oficial da abertura da Feira do Livro de Frankfurt 2011 ao final da tarde desta terça-feira.

É uma pequena ilha com uma grande literatura, a Islândia, que este ano é o país convidado da maior feira do livro do mundo. O escritor islândes Arnaldur Indridason, autor de "A Voz" (ed. Porta Editora), subiu ao palco do auditório principal da feira para explicar que a literatura do país onde nasceu e vive é diversa e que o povo islandês tem orgulho na sua história. Ao longo do tempo a Islândia teve de lutar contra a natureza, sobreviver a tremores de terra e erupções vulcânicas mas assegura Indriadadson é um sítio óptimo para poetas viverem e propício à criação. Depois de tempos turbulentos, a melhor maneira de pisar em terra firme é usar a criatividade.

A Islândia continua hoje a escrever a sua História porque tem orgulho nela. Todas as nações, pequenas ou grandes, contribuíram de alguma forma para a construção do mundo. A Islândia deu ao mundo as sagas que inspiraram grandes escritores como Borges e Tolkien, lembrou. "Hoje, quando os livros viajam mais do que em qualquer outra altura, os nossos livros mostram a nossa tradição e provam que não tem fronteiras de qualquer espécie." Mas a literatura islandesa não é só tradição, a literatura mais recente prova que existe diversidade.

A escritora islandesa, Gudrun Eva Minervudóttir, que falou a seguir, também em representação do país onde por ano em média cada islandês compra oito livros por ano, falou no período conturbado por que passou o seu país com o crash dos bancos e lembrou que a literatura com a crise mostrou ser ainda mais importante pois é como um espelho que mostra tudo. Num país onde as pessoas estiveram sempre muito preocupados em sobreviver, os livros tornaram-se o único entretenimento porque a televisão era pobre. "Deixámos de estar isolados e isso foi bom porque o mundo é interessante. Os livros são feitos para entreter e também para sabermos mais, para nos dar conhecimento. Acredito que as histórias nos mostram um novo ângulo e nos ajudam a ter outros pontos de vista. O mundo da ficção não tem fronteiras", acrescentou.

Num momento em que a indústria editorial mundial em mudança, a Feira do Livro de Frankfurt quer continuar a ser o local onde se compram e vendem direitos da forma tradicional mas também o local onde os direitos digitais e os formatos multimédia aparecem nessa negociação. Uma feira onde se discutem a digitalização, as leis de direitos de autor e a pirataria que está a aumentar na Alemanha e que foi referida em todos os discursos feitos por alemães na cerimónia de abertura.

Juergen Boss, o director da Feira do Livro de Frankfurt, lembrou que os novos modos de distribuição e as novas formas de direito de autor pode trazer riscos mas também trazer desafios. "Gostaria que todos usassem esta feira para tirarem partido das discussões que aqui vai acontecer durante os próximos dias". A feira começa amanhã, quarta-feira, e fecha no domingo.

E Gottfried Honnefelder, o presidente da Associação de Editores e Livreiros Alemães voltou a subir ao palco e, fazendo o gesto de um martelo a bater na mesa, anunciou: "A Feira do Livro de Frankfurt 2011 está oficialmente aberta!"