Para estabilizar o sector financeiro

Fundo soberano de Pequim compra acções dos principais bancos chineses

Bancos estavam a subir hoje na bolsa de Hong Kong
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Bancos estavam a subir hoje na bolsa de Hong Kong Bobby Yip/Reuters

Pressionado pela exposição dos bancos chineses às dívidas das colectividades locais, o fundo soberano chinês prepara-se para comprar acções das principais instituições financeiras nacionais, para inverter a trajectória de queda dos títulos e restaurar a confiança dos investidores.

A Central Huijin, um braço do fundo soberano China Investment Corporation, vai compra acções de quatro grandes bancos chineses em dificuldades sob os mercados, anunciou a agência de notícias oficial de Pequim.

Esta filial é já a principal accionista do Agricultural Bank of China, do Bank of China, do China Construction Bank e do Industrial and Commercial Bank of China (ICBC).

As praças asiáticas estavam esta manhã em alta, com os bancos a reagir positivamente ao anúncio do Governo chinês. Na bolsa de Hong Kong, o Agricultural Bank of China crescia 12%, o ICBC avançava perto de 9% e as outras duas instituições subiam entre 9% e 10%.

Mas não tem sido assim nos últimos meses. Na actual conjuntura de volatilidade nos mercados financeiros à escala global, com perdas consecutivas nas bolsas, os títulos dos bancos chineses têm registado fortes recuos nas praças de Xangai e Hong Kong. Perderam cerca de 30% do seu valor nos últimos meses, chegando ao valor mais baixo dos últimos dois anos.

As quedas registadas nos últimos meses reflectem as incertezas dos investidores sobre as dívidas contraídas pelas colectividades locais da China. Num relatório que o Governo de Pequim revelou em Junho, estima-se que as províncias e os municípios terão acumulado o equivalente a 1160 mil milhões de euros em dívidas até finais do ano passado. Cerca de 80% dos empréstimos serão financiados por bancos nacionais, calcula o executivo.

Agora, interpretou ao Financial Times Sanjay Jain, analista no Credit Suisse, o fundo soberano chinês quer “dar um sinal ao mercado de que sente confiança”. Embora não se saiba quanto é que o fundo vai investir, Sanjay Jain avisa que não é aconselhável que a compra de acções seja uma opção a longo prazo.

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