Visitas gratuitas aos museus e palácios cresceram em 2011

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Museus temem perder visitantes António Carrapato

O número de visitas gratuitas nos museus e palácios tutelados pelo Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) - que o Governo quer reduzir - aumentou 5,2% no primeiro semestre de 2011, em relação ao mesmo período do ano anterior, indica o relatório oficial de Agosto, mostrando uma tendência crescente destas visitas aos domingos e feriados.

Segundo os dados estatísticos do IMC, entre Junho e Julho, nos dias em que a entrada é gratuita, passaram pelos museus 186.841 visitantes. O número representa uma fatia importante nos 1,2 milhões de entradas registadas, entre pagas, gratuitas e com descontos.

Além das visitas gratuitas aos domingos, até às 14h, as crianças com menos de 14 anos também não pagam, representando 2% do total das 1,2 milhões de entradas. Ainda nestas condições estão os visitantes que entram ao abrigo da "entrada livre", por exemplo, no caso dos jornalistas, investigadores e profissionais do turismo em trabalho, que representam 25% das visitas totais, ou seja, 302.963 entradas.

Depois existem ainda os bilhetes com desconto para portadores do Cartão Jovem, pessoas com mais de 65 anos ou portadores de deficiência. Há descontos de preços para famílias, para grupos e para compra de bilhetes conjuntos para vários museus.

Durante o primeiro semestre de 2011, o relatório indica que o bilhete normal foi comprado por 271.497 pessoas, apenas 23 por cento do total das visitas, situação que a secretaria de Estado da Cultura pretende agora reverter, aumentado para 80% a fatia de visitas pagas, com a nova medida anunciada que ainda não tem uma data de implementação.

No geral, o número de visitantes dos museus e palácios registou uma subida em relação ao mesmo período de 2010, tendo passado dos 1.129.130 para os 1.205.254 visitantes, ou seja, mais 6,7%, o que representa mais 76.124 visitas. O maior aumento acontece nos palácios, cujo número de visitas subiu 10,4% nos primeiros seis meses de 2011.

O relatório indica que o público com entrada gratuita, "dominante em 2010, continua a ser a parcela mais importante no número global de visitantes no primeiro semestre de 2011", tendo aumentado em 39.417 (mais 5,2%).

Em comparação com 2010, o público a pagar entrada aumentou 9,7% (mais 36.707), o que se reflectiu no crescimento significativo das receitas da ordem dos 15,6% de 2010 para 2011, um aumento de 243.452,15 euros, tendo passado de 1.563.037,45 euros para 1.806.489,60 euros.

Apesar do aumento dos números, as receitas não estão a subir na proporção que o Governo gostaria e por isso o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, anunciou que as entradas grátis aos domingos vão acabar, admitindo apenas a possibilidade de acontecerem uma vez por mês. No entanto, Luís Raposo, o presidente do Conselho Internacional de Museus, explicou no domingo ao PÚBLICO que o que se vai ganhar em receita com esta alteração "é uma gota no oceano, que representaria 2 ou 3% dos custos dos museus", lembrando que muitas famílias deixarão de visitar estes espaços.

Já em Abril, João Brigola, director do IMC, tinha manifestado a vontade de reduzir o número de visitas gratuitas, explicando que se o número de visitantes se mantiver, o IMC conseguiria aumentar a sua receita em cerca de 800 mil euros anuais. "Na situação em que estamos, o país não se pode dar ao luxo de ter níveis tão elevados de gratuitidade", disse o responsável na altura.