Banca

Banco Dexia, em risco de desmantelamento, pode ter garantias da França e Bélgica

O banco Dexia
Foto
O banco Dexia Francois Lenoir/Reuters

Os governos francês e belga admitem que poderão intervir e dar ajuda à instituição, cujo título estava hoje a perder 29% na bolsa de Paris, ao início da manhã.

O banco franco-belga pode vir a tornar-se na primeira vítima europeia da crise da dívida soberana. França e Bélgica, que são co-accionistas do Dexia, reafirmaram hoje que se comprometem em "dar a sua garantia aos financiamentos pedidos" pela institutuição, em risco de desmantelamento.

"No quadro da reestruturação do Dexia, os Estados belga e francês, em ligação com os bancos centrais, tomarão todas as medidas necessárias para assegurar a segurança dos depositantes e dos credores", indica um comunicado conjunto dos ministros das Finanças dos dois países.

“Os governos francês e belga poderão eventualmente intervir, mas devemos antes de tudo ler as propostas feitas pelo banco”, tinha já declarado hoje aos jornalistas o ministro belga das Finanças, Didier Reynders, antes de uma reunião do Ecofin no Luxemburgo. E acrescentou: “Se for necessário, nós agiremos.”

Reynders defendeu também que de forma genérica “todos os Estados-membros devem estar prontos a ir em ajuda dos seus bancos se for necessário, como foi o caso nos Estados Unidos ou noutras partes do mundo”.

O futuro do banco franco-belga, que conseguiu recuperar de uma primeira crise em 2008, é novamente um problema para os dois países. Em cima da mesa está agora uma nova mudança estratégica, saída de uma reunião de seis horas realizada ontem, segunda-feira, pelo conselho de administração.

De acordo com a imprensa local, o banco poderá isolar numa nova entidade um conjunto de activos de 95 mil milhões de euros de que se procura livrar há já vários anos. Ao mesmo tempo, poderão ser dadas garantias públicas para aliviar a instituição de eventuais perdas, como confirmaram hoje a França e a Bélgica.

Quanto ao resto do grupo, o diário francês Fígaro refere uma “liquidação ordenada”, tendo em vista a gestão de activos e a banca privada, entre outras actividades. Questionado sobre o futuro do banco na Bélgica, o ministro das Finanças defendeu que “não haverá desmantelamento da actividade bancária”. “O banco na Bélgica é sólido, procuramos agora formas de resistir à crise da dívida soberana”, disse.

Apesar de uma reestruturação forçada por imposição da Comissão Europeia em 2010, o Dexia foi apanhado pelo agravamento da crise da dívida. A forte redução do balanço e das necessidades de liquidez a curto prazo estão a ser insuficientes para alcançar o equilíbrio. Em 2008, o banco só se salvou devido à intervenção dos governos francês, belga e do Luxemburgo.

O problema da instituição é ter demasiados activos e empréstimos a longo prazo, o que leva os analistas a considerarem que se trata de um perfil com demasiado risco.

Notícia actualizada às 10h35

P24 O seu Público em -- -- minutos

-/-

Apoiado por BMW
Mais recomendações