Pessimismo na banca europeia leva BCP e BPI a quedas acima de 5,5%

Crise grega provoca queda da bolsa de Lisboa

Estudantes protestaram em Atenas contra as reformas do Governo na educação
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Estudantes protestaram em Atenas contra as reformas do Governo na educação John Kolesidis/Reuters
Confrontos entre a polícia grega e estudantes que se manifestaram no centro da capital
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Confrontos entre a polícia grega e estudantes que se manifestaram no centro da capital John Kolesidis/Reuters
Manifestantes frente ao Parlamento, em Atenas
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Manifestantes frente ao Parlamento, em Atenas John Kolesidis/Reuters
Ministro grego das Finanças na reunião do eurogrupo, no Luxemburgo
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Ministro grego das Finanças na reunião do eurogrupo, no Luxemburgo Francois Lenoir/Reuters
Índice DJ Stoxx 600 Bank caiu 28% entre Julho e Setembro
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Índice DJ Stoxx 600 Bank caiu 28% entre Julho e Setembro Brendan McDermid/Reuters

O novo trimestre não trouxe descanso ao sector financeiro, que hoje liderou as quedas nas bolsas europeias. Pressionadas pelas notícias sobre o incumprimento das metas orçamentais da Grécia, a praça lisboeta caiu 2,6%, Atenas 2,4%.

Um dia de forte quedas na Europa atirou as bolsas do Velho Continente para perdas na ordem de um e 2%, com um novo episódio da crise a tomar conta das principais praças esta segunda-feira.

Duas semanas em que a Grécia foi admitindo implicitamente poder não cumprir as metas orçamentais para este ano culminaram, ontem, no anúncio oficial pelo Governo grego de que os objectivos dos défices deste e do próximo ano não vão ser alcançados.

A confirmação foi mais forte do que as promessas dos líderes europeus de encontrarem uma solução para a crise, levando as praças europeias de novo para terreno negativo: o índice Athens General caiu 2,4%, o Ibex-35 desvalorizou 2,26%,o Dax, de Frankfurt, perdeu 2,28%, o parisiense Cac 40 caiu 1,85% e o londrino Footsie-100 cedeu 1,03%.

E enquanto os ministros das Finanças da zona euro reuniam esta tarde no Luxemburgo com a situação grega na agenda, Evangelos Venizelos, responsável pelas finanças em Atenas, admitia: a Grécia é “um país com dificuldades estruturais”, mas não “o bode expiatório da zona euro”.

No centro de Atenas, oposição às medidas de austeridade contou com novos protestos – e novos confrontos com a polícia. Na praça Syntagma, epicentro habitual dos confrontos frente ao Parlamento, estudantes do ensino secundário manifestaram-se contra as reformas estruturais que o Governo quer implementar e, em particular, contra as reformas na educação.

Mesmo com as recém-anunciadas medidas de contenção, a Grécia falhará os objectivos do défice de 7,6% em 2011 (deverá ficar em 8,5%) e de 6,5% em 2012 (o Governo estima agora um défice de 6,8% do PIB).

O confronto com os números fez os investidores nos mercados financeiros apostarem em activos de refúgio (como o ouro) e menos nos mercados de capitais.

No caso português, se Setembro tinha sido um mês negro para a praça portuguesa, o novo trimestre colocou, hoje, de novo, o PSI-20 no lugar de índice com o pior desempenho entre as congéneres de referência na Europa. O BCP fechou no último lugar do PSI-20, ao registar um recuo de 5,64% (para 0,184 euros por título), seguido do BPI, que retrocedeu 5,57% (para 0,644 euros por acção). O Banif desvalorizou 2,93% (para 0,398 euros por título) e, no sector, apenas o BES conseguiu ficar entre os dez primeiros lugares da tabela, mas com uma desvalorização de 1,65% (para 1,967 euros).

O sector financeiro foi, aliás, o mais penalizado no último trimestre, perante o recuo de 28% do índice DJ Stoxx 600 Bank. Na base desta baixa estiveram – e continuam a estar – as dúvidas, levantadas pelos analistas na imprensa internacional, sobre a solvabilidade da banca europeia e as interrogações – que não desapareceram – sobre que solução efectiva encontrará a zona euro para a crise grega.

Hoje, isto foi particularmente sentido na bolsa de Bruxelas, onde o banco franco-belga Daxia perdeu mais de 10%. Uma queda abrupta que o banco não relaciona com a convocação de uma reunião de emergência do seu conselho de administração, mas que levou o ministro belga das Finanças, Didier Reynders, a tentar serenar os ânimos e a pedir que a zona euro tenha em atenção reestruturações no sector financeiro.

Nos mercados de dívida secundários, os títulos que mais penalizados pela subida das taxas de juro foram as Obrigações do Tesouro portuguesas e gregas, ao contrário do que aconteceu com as espanholas e italianas, que recuaram nos mercados secundários. Os juros das dívidas portuguesa e grega continuaram a registar novas subidas em todos os principais prazos – embora ainda distantes dos máximos históricos das principais maturidades.

Notícia actualizada às 21h12