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Dá-se mais pelo ruído do tráfego citadino que pelo som dos carris DR
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Filipe Arruda

Um hostel na estação de comboios do Rossio

Aqui há quartos a baixo custo com fachada neomanuelina

Está a ver a imponente fachada da estação de comboios do Rossio, com todo o seu esplendor calcário neomanuelino, pequeno Dom Sebastião entre duas grandes portas, coroada por torre com relógio e, sob esta, duas fileiras de belas janelas? Pois hoje uma dessas janelas é a do nosso quarto, um dos alojamentos do novo Rossio Patio, hostel que se torna um caso especial em Portugal.

Não só por se localizar dentro de uma estação ferroviária (na de Braga existe o Basic by Axis) mas também por se localizar precisamente nesta estação lisboeta, monumentalmente histórica, Imóvel de Interesse Público erigido nos finais do século XIX, alvo de um recente e profundo restauro e menina-do-olho de muito português e de milhões de turistas.

Agora, dorme-se dentro da estação do Rossio com todas as comodidades e pagando desde 18 ou 20 euros. E nada tema: nos quartos dá-se mais pelo ruído da vida e tráfego que bombeiam no coração da cidade que pelo som dos carris.

Entre os carris e os comboios

Entrando pelo átrio do piso superior da estação, o contraste é evidente. Passageiros apressam-se em filas nas bilheteiras, as escadas rolantes não param de trazer e levar mais gente, alguns correm para o comboio ali em frente, prestes a trinar nos carris e desaparecer no longo túnel em direcção a Sintra.

Mas, exactamente no lado oposto das bilheteiras, pressente-se calma por entre as diáfanas cortinas brancas de umas grandes portas de vidro, encimadas apenas por umas garrafais letras: Rossio Patio Hostel.

O "pátio" do nome não é em vão: entra-se no hostel, que se reparte por dois pisos, e é como entrar num verdadeiro pátio - dir-se-ia quase um "riad" industrial -, um imenso espaço aberto que começa na recepção, se prolonga por sala e lounge e termina na cozinha, coberto por um tecto-clarabóia que não só garante luz natural ao longo de todo o dia como cujos gradeamentos projectam sombras pelo espaço criando uma decoração naturalmente surreal.

Por entre ferro, aço e madeira, o pátio é quase um "jardim de Inverno", atapetado a relva artificial, salpicado de plantas, pufes e almofadas, redes e cortinas, com direito a uma desportiva mesa de snooker. De um lado, a parede acompanha a nave ferroviária, uma parede de tal grossura que não há comboio que se oiça; do outro, encostados à fachada do edifício, alinham-se os quartos "espartanos", como resume João Teixeira, responsável pelo projecto, a que chega com a experiência de outro hostel lisboeta de sucesso, o Alfama Patio.

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