Défice público cai para 8,3% no primeiro semestre

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Vítor Gaspar, ministro das Finanças Nuno Ferreira Santos

As contas nacionais trimestrais por sector institucional divulgadas pelo INE contabilizam o valor do défice em contabilidade nacional. Sendo este o método que interessa a Bruxelas, isto quer dizer que os 8,3% do défice público estão ainda mais distantes do objectivo definido com a troika do que os 7,7% herdados pelo Governo dos primeiros três meses do ano.

Para o segundo trimestre, o instituto estatístico revela um défice de 8,9%, uma melhoria nas necessidades de financiamento da Administração Pública comparando com valores de há um ano, mas que foi acompanhada por uma deterioração do saldo das famílias.

Foi o afastamento do saldo do Estado no primeiro trimestre em relação ao objectivo acordado com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional que levaram o executivo a anunciar medidas de austeridade adicionais e a antecipar outras para este ano.

Passos Coelho já tinha deixado ontem implícito um valor do défice distante dos 5,9%, dizendo as contas nacionais não seriam tão promissoras quanto o esperado pelo Governo.

O valor avançado pelo INE – que difere do revelado pela Direcção-Geral do Orçamento por registar os compromissos de receita e despesa do Estado – compara com os 9,3% registados no último trimestre de 2010.

O défice do ano passado foi, aliás, hoje revisto em alta também pelo INE, somando já o impacto do buraco orçamental encontrado na Madeira. Em vez de 9,1%, o INE notificou Bruxelas de um défice de 9,8% do PIB. E também o saldo das Administrações Públicas de 2008 é afectado negativamente pelos desvios encontrados, levando o défice público a subir de 3,5% para 3,6%.

Notícia actualizada às 12h18