À lupa

Vítor Pereira deu tiros nos pés

A desilusão de Bulluschi e a festa dos jogadores do Zenit
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A desilusão de Bulluschi e a festa dos jogadores do Zenit Foto: Alexander Demianchuk/Reuters

1. O Zenit é a melhor equipa russa, uma formação de qualidade e que ontem até soube resolver algumas das suas habituais insuficiências defensivas, mas seria um erro crasso que os responsáveis do FC Porto tentassem reduzir o desaire aos méritos do adversário, ao azar da lesão de Kléber e aos (ultimamente) habituais disparates de Fucile.

Ao contrário do que já se lhe viu noutras alturas, designadamente na época passada, o FC Porto mostrou, por exemplo, não estar preparado para jogar em inferioridade numérica. E houve também um conjunto de opções mais do que discutíveis do técnico Vítor Pereira.

2.

As primeiras decisões do técnico que podem ter ajudado a que o FC Porto se tornasse uma equipa mal cosida e limitada aconteceram na sequência da expulsão de Fucile. Quem devia sair? A lógica recomendava que fosse Varela. Mas Vítor Pereira não terá querido fazer isso a alguém que entrara pouco antes para o lugar do lesionado Kléber (a propósito, seria uma boa altura para alguém do FC Porto explicar por que não foi inscrito Walter, depois de o clube desistir de ir ao mercado encontrar um substituto de Falcao...).

Preferiu abdicar de James Rodríguez, o único portista que podia ajudar Hulk a criar desequilíbrios ofensivos e que, ao mesmo tempo, seria importante na hora de segurar a bola. E quem devia entrar? Olhando para as alternativas no "banco", o bom senso mandava que o escolhido fosse Maicon, com Otamendi a passar para defesa-direito. Vítor Pereira optou por mandar entrar Souza para a posição seis, recuando para lateral Fernando.

Sem a cobertura deste último, o FC Porto tornou-se uma equipa desequilibrada defensivamente como raramente se lhe viu, incapaz, por exemplo, de lidar com as desmarcações (no limite do fora-de-jogo) do ponta-de-lança Kerzhakov ou com as entradas na área do médio Shirokov. E só não saiu da Rússia com uma saco cheio de bolas porque o árbitro anulou mal um golo a Kerzhakov e porque o Zenit foi tudo menos eficaz na cara de Helton.

3.

Apesar da entrada razoável em campo e do golo marcado na primeira (e quase única) oportunidade de golo que criou, o FC Porto não demorou muito a confirmar que atravessa uma fase crítica. Há jogadores em claro sub-rendimento físico, sendo o caso mais paradigmático o de João Moutinho, que parece ainda afectado pelo descalabro generalizado que foi a segunda parte frente ao Benfica.

É bem provável que a quebra física resulte precisamente dos bloqueios psicológicos num FC Porto pouco habituado a lidar com dois empates e uma derrota seguidos. Mas era precisamente nesta matéria que o FC Porto conseguia também normalmente fazer a diferença. O que pode vir a dar razão a quem já discute a liderança. Ou a falta dela.

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