Liga dos Campeões

FC Porto à beira da catástrofe no terreno do Zenit

Fucile foi expulso e deixou o FC Porto a jogar com dez durante meia parte
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Fucile foi expulso e deixou o FC Porto a jogar com dez durante meia parte Alexander Demianchuk/Reuters

O FC Porto não suportou a pressão daquele que é hoje o clube mais rico da Rússia (devido aos milhões da Gazprom, a maior exportadora de gás natural do mundo) e saiu esmagado, por 3-1, do Estádio Petrovski. Além do melhor futebol, o Zenit de São Petersburgo contou com a ajuda inesperada de um disparate de Fucile, expulso mesmo antes do intervalo. E o golo de James, aos 10’, foi de todo insuficiente para manter a tradição de os portistas conseguirem resultados positivos em solo russo. Para satisfação do Presidente Dmitri Medvedev, conhecido adepto da equipa que veste totalmente de azul e que ontem dominou totalmente o jogo. E para desgosto do treinador portista, que viu a equipa somar mais uma exibição pobre (a terceira consecutiva), num jogo em que nem a lesão prematura de Kléber (32’) serve de desculpa, tal a superioridade adversária. Helton sofreu três golos e poderiam ter sido mais.

A aposta de Vítor Pereira em Belluschi em detrimento de Defour, como forma de dar mais criatividade e experiência à equipa, não teve efeitos positivos. O meio campo foi dominado pelos médios do Zenit, com João Moutinho a demonstrar que não se encontra no seu melhor do ponto de vista físico, um aspecto que muitas vezes lhe permitia assumir as despesas da equipa. O Zenit foi mais longe e mandou também nas alas. Faizulin, um russo de 25 anos, foi provavelmente o melhor elemento em campo. Teve a virtude de produzir muito jogo e obrigar Álvaro Pereira a uma contenção a que não está habituado, deixando James algo desamparado.

E no lado contrário o FC Porto não teve melhor sorte, com Fucile a sentir muitas dificuldades para travar o português Danny. De tal maneira que viu o primeiro amarelo ao travar o madeirense em falta e depois (45’), ao cortar a bola com a mão de forma infantil, viu o segundo amarelo, deixando a equipa com menos um elemento.

A formação portuguesa nem sequer se pode queixar da actuação do árbitro Howard Webb. O inglês validou o golo de James Rodríguez, que se encontrava em posição, no mínimo, duvidosa. Um golo que não permitiu grande festa aos portugueses, porque, aos 20’, Faizulin tirou um cruzamento, Helton defendeu para a frente e surgiu Shirokov a rematar sem oposição. Depois, aos 24’, Álvaro Pereira ainda obrigou Malafeev a uma grande defesa. E do FC Porto viu-se pouco mais, porque a equipa não conseguiu pressionar, nem manter a bola.

Na segunda parte, então apenas com dez elementos e com a entrada de Souza para o lugar de James, como forma de travar a avalancha ofensiva adversária, a equipa portuguesa esteve muito perto de ser goleada. Kerzahakov enviou uma bola ao poste e, aos 59’, viu o árbitro anular-lhe um golo limpo. O segundo golo do Zenit, no entanto, surgiu naturalmente, aos 62’: livre de Faizulin, sobre a esquerda, boa recepção de Shirokov na área e remate de pronto a conseguir um grande golo. Seguiu-se o terceiro, aos 72’, com Kerzhakov a passar por Otamendi e a cruzar para Danny surgir no poste mais distante.

A parte final da partida foi de sofrimento para o FC Porto, que parecia apenas esperar pelo fim do jogo e acabar com o calvário em que se transformara o encontro. Já o Zenit conseguiu uma exibição notável e fez esquecer a derrota algo surpreendente no primeiro desafio desta Liga dos Campeões, frente ao Apoel, adversário do FC Porto nos próximos dois jogos (primeiro no Dragão e depois em Chipre).

POSITIVODanny

O internacional português é uma das estrelas do Zenit e foi a “besta negra” de Fucile. Muito aplaudido pelos adeptos sempre que toca na bola, ainda marcou o terceiro golo.


Faizulin e Shirokov

O primeiro conseguiu impedir as subidas de Álvaro Pereira e construiu várias jogadas de ataque . Shirokov foi o autor dos dois primeiros golos, o segundo conseguido com grande estilo.



NEGATIVOFucile

O defesa do FC Porto cometeu um erro infantil ao cortar uma bola com a mão quando já tinha um amarelo. Um disparate que custou muito caro a uma equipa que já não vendia saúde e ainda ficou pior com menos um elemento. Além disso, nunca conseguiu travar devidamente o internacional português Danny.


Ficha de jogo

Zenit 3
FC Porto 1

Jogo no Estádio Petrovski, em São Petersburgo.

Zenit

Malafeev, Anyukov, Hubocan, Lombaerts, Criscito, Shirokov, Zyryanov (Huszti, 86’), Denisov, Faizulin, Danny e Kerzhakov (Bukharov, 90’). Treinador Luciano Spalletti.

FC Porto

Helton, Fucile, Rolando, Otamendi, Álvaro Pereira, Fernando, João Moutinho, Belluschi (Defour, 73’), Hulk, James Rodríguez (Souza, 46’) e Kléber (Varela, 32’). Treinador Vítor Pereira.

Árbitro

Howard Webb, de Inglaterra. Amarelos Fucile (25’ e 45’+2’), Hubocan (61’), Otamendi (62’) e Belluschi (69’). Vermelho Fucile (45’+2’).

Golos

0-1, por James Rodríguez, aos 10’


1-1, por Shirokov, aos 20’


2-1, por Shirokov, aos 63’


3-1, por Danny, aos 72’.


Notícia actualizada às 20h22