Reacção à iniciativa do Governo de financiar estágios nas empresas

CGTP e CIP cépticas sobre resultados de plano de formação de desempregados

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Nuno Ferreira Santos (arquivo)

O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, considera como “propaganda” o programa anunciado ontem à noite pelo Governo para apoio a estágios profissionais para formação de desempregados, enquanto o presidente da CIP, António Saraiva o saúda, mas sublinha que não é uma solução para o problema do desemprego.

“Há um velho ditado que diz: ‘Com bolos se engana o povo.’ Muito dinheiro foi entregue ao longo dos anos em nome de formação a empresas, e a maior parte dos empresários – houve excepções positivas, com certeza –, mas a maior parte, em nome de estar a fazer formação, usa mas é o trabalho das pessoas disponíveis e não há formação nenhuma, não há nenhuma perspectiva de envolvimento futuro no emprego”, disse à rádio TSF.

Questionado sobre se as empresas que vierem a aderir ao programa, que prevê uma verba de cem milhões de euros para que as empresas dêem formação no local de trabalho a 35 mil desempregados de longa duração, que receberão 420 euros, Carvalho da Silva respondeu: “A generalidade das empresas andam aí dizer que têm que reduzir o emprego, o Estado anda a reduzir o emprego. Estamos cheios de propaganda para esconder o que é fundamental”.

Para Carvalho da Silva, o fundamental é “o combate à recessão económica e a criação de emprego.”

Ainda na área sindical, João Proença, da UGT, considera positiva a medida anunciada pelo ministro da Economia, mas realça o seu carácter pontual. “É um anúncio de uma medida positiva, mas muito pontual. Aliás, também não se percebe como é que se liga com o anúncio que foi feito que vão ser criadas medidas ligadas à diminuição da Taxa Social Única para as empresas que criam postos de trabalho”, afirmou à mesma rádio.

João Proença disse também que esta “é uma medida de política de emprego. Tal como é anunciada, aparece como uma espécie de programa de estágios. Não é dito como é que vai ser verificada a qualidade do emprego, não é dito qual é o tipo de estabilidade do emprego que é garantido a esses trabalhadores que fazem a formação, se é um posto de trabalho permanente ou se é um posto de trabalho temporário, propondo-se uma verba relativamente avultada”.

CIP sugere necessidade de programa de competitividade e crescimento

Por seu lado, o presidente da CIP, António Saraiva, afirmou que “todos os programas que visam reduzir o desemprego são bem-vindos. De qualquer maneira, as políticas activas de emprego têm que ser integradas num programa mais amplo, de competitividade e crescimento, porque só isso é que, efectivamente, reduz o desemprego”.


“O resto, enfim, são coisas que se aplaudem mas que não resolverão o problema com que estamos neste momento”, acrescentou, também em declarações à TSF.

António Saraiva também se mostrou céptico quanto à eventual criação de emprego resultante desta iniciativa. “As empresas só contratam pessoas quando têm a necessidade de as contratar, quando têm acréscimo de encomendas ou quando a empresa desenvolve a sua actividade. E, lamentavelmente, não é isso que está a acontecer”, explicou.

Notícia actualizada às 11h46