Opinião

Decisões inacreditáveis

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A decisão mais comentada desta 6.ª jornada da I Liga terá sido a opção de Vítor Pereira de substituir Guarín por Belluschi frente ao Benfica. Indiciador de falta de capacidade de leitura do jogo por parte do técnico do FC Porto, clamaram uns; chico-espertice de quem só fala no fim e com o resultado à vista, acusaram outros. Opiniões não faltam. E até se percebe: esta é uma questão em que se podem debater os prós e os contras, as lógicas e as intuições. O que não acontece com outras duas decisões relacionadas com o passado fim-de-semana futebolístico. Essas são completamente inacreditáveis.

1.

Castigar James Rodríguez com um jogo de suspensão é um daqueles casos em que a jurisprudência matou o tribunal. Se um jogador que agride outro em campo e vê o vermelho directo recebe a pena mínima, o que virá a seguir? Meio jogo para quem for expulso por acumulação de amarelos?! Como é que a Comissão Disciplinar da Liga vai calibrar as suas decisões a partir daqui? Ou será que o relatório do árbitro não menciona a agressão? E ninguém a viu na televisão?

Os jogadores são para jogar e os melhores jogadores são indispensáveis. James Rodríguez é um dos grandes futebolistas a actuar no nosso campeonato e faz sempre falta ao espectáculo. É nestas ocasiões que nos lembramos que as suspensões podem não ser a melhor solução: prejudicam mais a equipa e os espectadores do que o próprio jogador. Aplicar multas substanciais como sanção disciplinar pesaria bem mais na vida do futebolista. É uma teoria. Talvez valesse a pena pensarmos nisso.

Mas em Portugal as coisas têm uma agenda muito própria... Na próxima jornada, o FC Porto vai a Coimbra para defrontar a surpreendente Académica. James já poderá jogar. Se a ordem dos jogos fosse ao contrário, ou seja, se o extremo colombiano tivesse ficado de fora do jogo com a Académica e agora já pudesse entrar frente ao Benfica, alguém acredita que a questão passasse despercebida como passou?

2.

Vítor Pontes durou três jogos no banco de suplentes da União de Leiria. Parece ser esse o prazo de validade dos treinadores para aquelas bandas. Antes de Vítor Pontes, Pedro Caixinha também só durou três jornadas. Somou outras tantas derrotas e o presidente do clube, João Bartolomeu, achou que era chegada a hora de fazer qualquer coisa. A União até ganhou o jogo seguinte, em Aveiro, o que lhe valeu os seus primeiros (e únicos) três pontos na Liga. Mas depois perdeu outros dois encontros e João Bartolomeu achou que era chegada a hora de fazer mais qualquer coisa. E foi buscar Manuel Cajuda.

Que autoridade poderá ter sobre o balneário um treinador que, a olhar à recente tradição, não chegará a Novembro? O que poderá Cajuda dizer a um grupo de jogadores desmoralizados e sem uma relação de confiança (isso leva o seu tempo) com quem os dirige? Como é que um clube que justifica com o “azar” o despedimento do seu primeiro técnico da temporada continua a ser uma entidade patronal credível?

Dois recados para João Bartolomeu: primeiro, caso não tenha reparado, a sua equipa perdeu pontos com três formações do topo da tabela (FC Porto, Marítimo e Académica) e marcou em todos os jogos; segundo, caso volte a achar que é chegada a hora de fazer qualquer coisa, mude de receita. Controle o tique de trocar de treinador e olhe antes para a (não) relação do clube – que, recorde-se, faz os seus jogos “em casa” na Marinha Grande – com a sua cidade. É capaz de dar melhor resultado.