Mónica Jorge considera o futebol feminino mais puro do que o masculinoPedro Cunha
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Mónica Jorge considera o futebol feminino mais puro do que o masculinoPedro Cunha

Mulheres fingem menos do que os homens no relvado

Simulações de falta não são tão comuns nos jogos femininos. A seleccionadora nacional explica o porquê

Quase se pode dizer que não há fim-de-semana em que não se discuta se foi penálti ou não. Se isso já não bastasse, quase se pode dizer que todas essas discussões são originadas por causa de pretensas simulações dos futebolistas. O vulgo “mergulho” tem-se enraizado de tal forma que é caso para perguntar: “As mulheres também fingem faltas e lesões?”

Mónica Jorge, seleccionadora nacional de futebol feminino, diz que a prática até “é comum, mas não em demasia. Pelo menos não tanto como no futebol masculino. As mulheres não têm tanta tendência, demonstram mais ‘fair play'”.

Menos simulações

Parece que, até neste aspecto, as características inatas das mulheres pesam: “Talvez por ser um jogo mais puro [do que o dos homens], não existam tantas simulações. A mulher é um pouco mais sincera e ingénua. Mas o jogo feminino está a caminhar para alguma esperteza, nesse sentido”, afirma a seleccionadora.

Percebe-se, então, que poderá haver quem compreenda a utilização desta “táctica”. “Jogo é jogo. É claro que o respeito é o mais importante, mas não vejo mal em haver um certo tipo de ‘provocação’”, refere.

O pior (ou melhor) é que, algumas vezes, as simulações são detectadas pelos árbitros e os jogadores são castigados. Apesar disso, Mónica não se lembra de alguma vez ter visto, no futebol feminino, jogadoras serem “amareladas” por simulação: “Nunca tive essa experiência. Pelo contrário. São capazes de se levantarem e dizerem ao árbitro que não foi falta”.

Mulheres vs Homens

Será, então, que o futebol feminino nem sequer é agressivo? O número de cartões mostrados pode ser um bom indicador para aferir esta hipótese.

Se se comparar o Mundial Feminino de 2011 com o Euro 2008 (masculino) – são comparáveis, porque ambos reuniram 16 equipas e o mesmo número de jogos – percebe-se a diferença de postura. Na competição feminina foram mostrados 63 amarelos, enquanto os homens viram 122 cartões da mesma cor.

Porém, no que diz respeito aos vermelhos, as mulheres viram-nos por quatro vezes, enquanto os homens se ficaram pela metade.

Mónica Jorge nota que, em Portugal, “as jogadoras do norte são mais agressivas. As do sul são mais tácticas, (...) algo que também se vê no futebol masculino”. Juntos, pelo menos num aspecto.