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Edifício da FAUP foi projectado por Siza Vieira
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Já há faculdades capazes de fazer sombra à FAUP

"Sinais de recomposição" deviam ter acontecido há mais tempo. Descansaram sobre os louros alcançados, diz Jorge Figueira

O património deixado pela Escola do Porto na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) é “difícil de gerir” e, por isso, a faculdade está a passar por um “momento baixo”.

O arquitecto Jorge Figueira avalia desta forma o actual estado da FAUP, faculdade que, pelo passado glorioso, viverá sempre na “dicotomia” de ser uma “instituição extremamente forte e extremamente frágil”.

“O Porto, nos últimos anos, tem sido sujeito a críticas muito violentas, de gente de fora e de dentro da escola, no sentido de uma certa paralisia, inércia, por descansar sobre os louros alcançados”, recorda.

E o também docente na UP não pode deixar de concordar com a avaliação: “O Porto não é uma escola tão pujante como o seu legado permitiria sonhar que fosse”, lamenta.

Nos últimos anos têm sido feitas algumas tentativas de relançar a FAUP, mas não se tem mexido no que é “estrutural”: “Acredito que a escola continua a chamar muita gente de fora, mas não tenho a certeza que responda com eficácia ao desafio de ser uma escola de ponta no início do século XXI”, afirma.

A queda pós período áureo da Escola do Porto era “inevitável”, admite Jorge Figueira, mas os “sinais de recomposição” que se veêm agora deviam ter sido visíveis há mais tempo.

Alternativas

“Há escolas em Portugal tão válidas como a Faculdade de Arquitectura do Porto”. Jorge Figueira assume o conflito de interesse – “sou docente na Universidade de Coimbra -, mas garante falar acima dele: “A vantagem das outras escolas é precisamente a de não ter de lidar com o legado que a FAUP tem”.

O nome da Escola do Porto já não é solução mágica para o sucesso da FAUP, a única escola do mundo que gerou dois prémios Pritzker: “As outras [faculdades] têm a vantagem de poder descobrir um novo caminho com grande liberdade. São escolas mais ágeis, provavelmente mais próximas de um certo pulsar dos nossos tempos”.