Economista deverá sair até ao final de 2011

Jürgen Stark demite-se da comissão executiva do BCE

Jürgen Stark
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Jürgen Stark Tyrone Siu/Reuters

O alemão Jürgen Stark, que representa a Alemanha na comissão executiva do BCE, apresentou a demissão ao presidente Jean-Claude Trichet, de quem tem discordado da retoma da compra de dívida soberana pela autoridade monetária europeia.

Stark deverá ser substituído por Joerg Asmussen, actual vice-ministro das Finanças alem��o, segundo avança a agência Reuters.

Para já, o BCE não divulgou oficialmente quem sucederá ao economista, que terminaria o mandato no final de Maio de 2014. Num curto comunicado emitido esta tarde, diz apenas que Stark se demitiu “por razões pessoais” e que se manterá no cargo até ser designado um sucessor, o que deverá acontecer no final deste ano.

Stark foi, a par do presidente do banco central alemão, Jens Weidmann, um dos membros do BCE de quem se soube pela imprensa internacional ter discordado da decisão de Trichet de regresso do banco à compra de obrigações nos mercados secundários.

A demissão surge um dia depois de Trichet ter respondido frontalmente às críticas levantadas à sua política monetária, dizendo que o BCE teve uma política melhor para conter a inflação do que o banco central alemão. Em resposta a um jornalista durante a conferência de imprensa em que confirmou a manutenção das taxas de juro de referência nos 1,5 por cento, Trichet endureceu o discurso: “Gostava muito de ter o reconhecimento de que uma instituição [o BCE] assegurou a estabilidade dos preços na Alemanha nos últimos 13 anos em 1,55 por cento aproximadamente… melhor do que foi conseguido no país nos 50 anos anteriores”, cita o Financial Times.

Em meados de Agosto, face à subida das taxas de juro das Obrigações do Tesouro italianas e espanholas, o supervisor decidiu retomar a compra de dívida para acalmar os mercados financeiros, mas tal não colheu a unanimidade entre os membros da comissão executiva do BCE e os membros do conselho de governadores do banco.

A opção foi tomada para tentar conter o avanço da crise da dívida ao centro da zona euro, tendo na altura multiplicado os rumores de discordância no interior do BCE pelo facto de ter sido conhecida num comunicado assinado apenas por Trichet.

A saída é um reflexo da “incerteza” do banco no quadro de inquietude quanto à resolução da crise das dívidas soberanas, em especial no caso grego, comentou à AFP Lothar Hessler, analista de mercados de capitais na instituição financeira alemã HSBC Trinkaus.

Notícia actualizada às 15h57