Luís Coelho vai ser o novo director do Igespar

Luís Filipe Coelho, até agora subdirector do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) e responsável pela área financeira, será o novo director daquele organismo, substituindo no cargo Gonçalo Couceiro, que pediu a reforma e cessou funções no final de Agosto.

A substituição acontece numa altura em que os arqueólogos aguardam com expectativa a definição do novo modelo de organização a apresentar pela Secretaria de Estado da Cultura (SEC) de Francisco José Viegas.

O PÚBLICO ouviu vários arqueólogos que se mostram convencidos de que a nova direcção deverá assegurar apenas a actual fase de transição e que em breve serão anunciadas mudanças mais profundas.

"A minha preocupação não tem a ver com quem irá transitoriamente dirigir os organismos [Igespar e Instituto dos Museus e da Conservação], mas sim com a arquitectura da relação futura entre os serviços centrais da SEC e os organismos que dão a cara perante o público, as bibliotecas, os arquivos, os museus", diz Luís Raposo, presidente do ICOM Portugal (Conselho Internacional dos Museus) e director do Museu Nacional de Arqueologia.

"Em períodos de crise, as gorduras que podem ser cortadas são as que estão nas estruturas intermédias", considera Raposo, defendendo que os cortes, a acontecerem, devem ser ao nível das Direcções Regionais de Cultura, dando às estruturas que têm o contacto directo com os cidadãos no terreno "maior capacidade e autonomia".

Para João Tiago Tavares, presidente da Associação Profissional de Arqueólogos (APA), o importante é que, na estrutura de funcionamento que venha a ser definida pela SEC, "a arqueologia não seja menorizada". Isso pode ser feito mantendo a estrutura actual, com as Direcções Regionais, ou com um modelo centralizado, desde que "haja uma articulação dos serviços para que possam funcionar eficazmente".

Uma das críticas frequentes ao actual modelo, explica, tem a ver precisamente com a "sobreposição de competências entre o Igespar e as Direcções Regionais". A APA já pediu uma audiência ao novo secretário de Estado da Cultura, mas ainda não foi recebida.