Inspecção conclui que Ponte 25 de Abril está de boa saúde, mas precisa de conservação

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Intervenções visam prevenir danos futuros, alega a EP DANIEL ROCHA

Levantamento batimétrico registou depressão num dos cantos do pilar sul, mas sem necessidade de qualquer intervenção

O relatório da inspecção subaquática aos pilares da Ponte 25 de Abril concluiu pelo "bom estado de conservação geral" das estruturas, mas a Estradas de Portugal (EP) vai realizar trabalhos de conservação numa das sapatas, em virtude de ter sido detectada "alguma corrosão" na zona emersa.

A empresa, em comunicado, esclareceu que o relatório da inspecção subaquática aos pilares três e quatro da Ponte 25 de Abril concluiu que "os maciços de fundação dos pilares três e quatro desta estrutura encontram-se, na zona imersa, em bom estado de conservação" e que não se verificaram alterações em relação à inspecção subaquática realizada em 1988.

O comunicado adianta que já "na zona emersa dos pilares verificam-se algumas irregularidades, provocadas, provavelmente, pelo encosto dos batelões ainda na fase de construção da ponte, pelo que serão, nos próximos meses, desenvolvidos trabalhos de regularização destas superfícies".

O director de Construção e Manutenção da empresa, Carlos Santinho Horta, confirmou à agência Lusa que a inspecção concluiu que "há alguma corrosão provocada na zona emersa da sapata", um dano "provocado provavelmente na altura da construção" da ponte, há 45 anos. "A construção foi feita com batelões que devem ter andado a tocar nas paredes do pilar. Há ali alguns toques e algum dano superficial. Não se reparou ou ninguém se preocupou, porque estamos a falar de uma sapata de uma dimensão de 40 metros, por isso a corrosão não é significativa. Mas, para a protecção da estrutura, vamos fazer a reparação das sapatas", avançou o responsável pela manutenção.

A EP vai "aproveitar" as obras de conservação em curso, iniciadas em 2010 e que devem ficar prontas no segundo trimestre do próximo ano, para reparar estes danos. Carlos Santinho Horta espera que a intervenção tenha início em Setembro e estima que dure dois meses e meio. O investimento estimado ronda os 300 mil euros. O objectivo desta obra passa por "proteger" as sapatas da ponte: "O caso não é grave, mas as coisas, quando não são reparadas, evoluem. Por isso, a intervenção não é de dar mais resistência, mas de conservar, de dar mais durabilidade à ponte, para evitar a progressão da degradação. O betão podia começar a descascar", disse o mesmo técnico.

O relatório da inspecção subaquática concluiu ainda que existe uma "ligeira erosão" ao nível do leito do Tejo nos pilares da margem sul de cerca de cinco metros, o que foi considerado "perfeitamente aceitável", já que "esses cinco metros não são significativos perante os restantes 40 metros" que estão submersos "entre lodo, seixos e areia no rio". Quanto a alguma "degradação natural" nas superfícies de betão, que "não tem qualquer expressão", a mesma fonte da EP explica que também "não justifica" quaisquer obras, mas que as situações vão ser acompanhadas e monitorizadas.

A inspecção custou 76 mil euros e a Estradas de Portugal prevê que a próxima verificação subaquática terá lugar no prazo de cinco anos. PÚBLICO/Lusa