Morreu David "Honeyboy" Edwards, um dos homens Delta Blues

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Foi eleito para o "Blue Hall Fame", em 1996, e nomeado para o "National Heritage Fellow by the National Endowment for the Arts", em 2002

O músico norte-americano David "Honeyboy" Edwards, considerado por muitos um dos últimos nomes da geração Delta Blues, morreu ontem na sua casa em Chicago. Até 2008, Edwards dava uma média de 100 concertos por ano. Tinha 96 anos.

Nascido no Mississippi em 1915, Edwards aprendeu a tocar ainda em criança. Aos 14 anos saiu de casa. Começou a trabalhar em Chicago, cidade onde viria a conhecer grandes nomes do blues. Entre 1930 e 1940, juntou-se a artistas como Howlin Wolf e Little Walter, músicos ligados ao estilo Delta Blues, um dos mais antigos estilos de blues, tendo começado a viajar com estes artistas. Aos 17 anos, Edwards já tocava como profissional e apresentou-se em Memphis.

"Nós queremos andar pelo país com as nossas guitarras ao ombro, parar em casas de outras pessoas, tocar um pouco de música para elas e continuar a andar", disse Edwards numa entrevista ao historiador de música blues, Robert Palmes, recordando os seus momentos de digressão com Robert Jonhson. "Podíamos pedir boleia, andar de camião em camião, e se não pudéssemos apanhar um [camião], apanhávamos um comboio". E reforçou: "Rapaz, nós tocámos para muitas pessoas".

Edwards ficou conhecido pelo seu dedilhar na guitarra e também pela duração das suas actuações. Destacou-se ainda por ser um dos primeiros músicos do Delta Blues a tocar com saxofonistas e bateristas. O seu grande boom de popularidade começou em 1960. No final da década, junta-se a Willie Dixon e Buddy Guy para produzir dois volumes do álbum "Blues Jam in Chicago".

Em 1972, Edwards conheceu Michael Frank, um apaixonado pelo blues, que mais tarde se tornou o manager do músico, cargo que manteve até agora.

Foi eleito para o "Blue Hall Fame", em 1996, e nomeado para o "National Heritage Fellow by the National Endowment for the Arts", em 2002. Também o cinema fez parte da sua vida. Em 2007 participou no filme "Walk Hard: The Dewey Cox Story", onde se representou a si próprio.

Em 2008 ganhou o Grammy para Traditional Blues, com o álbum "Last of the Great Mississippi Delta Bluesmen: Live in Dallas", e dois anos depois recebeu um Grammy pela sua carreira.