Liga dos Campeões

Um jackpot pelos pés de Aimar e Witsel

Witsel no remate acrobático que deu o primeiro golo
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Witsel no remate acrobático que deu o primeiro golo Rafael Marchante/Reuters

Uma vitória inquestionável (3-1) sobre o Twente permitiu ao Benfica confirmar a entrada na fase de grupos da Liga dos Campeões pelo segundo ano consecutivo. Liderada pela excelência de Axel Witsel (autor de dois golos) e de Pablo Aimar (o ideólogo do futebol “encarnado”), a equipa de Jesus obteve um apuramento que abre portas para a grande montra do futebol europeu e que garante um encaixe superior a nove milhões de euros, os 7,2 milhões pelos prémios de presença e mais 2,2 pelos direitos televisivos.

Este foi não só o resultado mais importante da temporada para a equipa da Luz, mas também a melhor exibição da época. O Benfica banalizou um rival que habitualmente joga ao ataque, mas que surgiu transfigurado na Luz, cheio de cautelas defensivas, e que foi completamente anulado pela defesa “encarnada”.

O Benfica manteve-se fiel à sua filosofia e jogou sempre com a baliza adversária na mente. Às vezes, até com a obsessão de fazer tudo rapidamente, o que se revelou ser mais um defeito do que uma qualidade.Jogando com Witsel no meio-campo e Aimar no apoio a Cardozo, a equipa da Luz partiu a todo o gás atrás de um golo que desse mais tranquilidade à equipa. Ainda não estavam completos dois minutos quando Aimar atirou à figura de Mihaylov. Foi o primeiro de 15 remates do Benfica nos primeiros 45 minutos, em que deu simultaneamente um recital de futebol de ataque e um “festival” de golos desperdiçados.

Sempre com Aimar a conduzir as operações – é espantosa a clarividência do argentino –, a equipa de Jesus foi criando oportunidades atrás de oportunidades. Umas vezes por mérito do guarda-redes, outras por falta de pontaria, outras porque os jogadores estavam mais preocupados em fazer o bonito do que o eficaz, os remates deram sempre em nada. Nolito (malhas laterais, 11’), Cardozo (em três ou quatro ocasiões, uma delas para grande defesa de Mihaylov), Aimar e Gaitán (estes dois isolados) foram incapazes de marcar.

O intervalo foi o melhor que podia ter acontecido ao Benfica. Seja por terem podido descansar 15 minutos ou porque Jesus chamou os jogadores à atenção, o início da segunda parte marcou uma mudança radical. Na primeira oportunidade, Witsel marcou, quebrando o enguiço. O belga aproveitou um desvio de Luisão, após um livre de Gaitán, e marcou com um remate de costas para a baliza (46’).

O primeiro golo do médio belga com a camisola do Benfica deixava as portas da fase de grupos completamente abertas. O Twente, que na primeira parte só fez um remate (Ruiz um pouco ao lado, 35’) viu-se obrigado a arriscar, abrindo mais espaços na defesa.

O Benfica não perdeu tempo e em poucos minutos passou da vitória simples à goleada. Na sequência de um canto de Aimar, Luisão fez o 2-0 de cabeça (59’). E sete minutos depois, o argentino lançou um contra-ataque, Cardozo isolou Witsel e o belga voltou a ser muito mais eficaz do que os companheiros, apontando o 3-0.

Jesus aproveitou depois para reforçar o meio-campo. Fez entrar Matic e Bruno César para os lugares de Gaitán e Nolito. O Benfica concentrava-se em gerir a vantagem e terminar o jogo sem sofrer golos, algo que tem sido raro nos últimos tempos.

Foi então que emergiu Artur, com duas grandes defesas. Primeiro, fechou bem o ângulo a Ola John, um dos jogadores lançados por Co Adriaanse na segunda parte (63’), e depois fez um voo fenomenal para impedir que um cabeceamento de Bryan Ruiz tivesse sucesso (71’). E quando parecia que o Benfica seria capaz de manter a baliza fechada, o avançado costa-riquenho conseguiu mesmo marcar, com um bom cabeceamento sem qualquer hipótese para Artur (85’). Foi a única nódoa numa exibição quase perfeita. E o jackpot da Liga dos Campeões entra em breve nos cofres da Luz.

Positivo Aimar

É daqueles jogadores que valem o preço do bilhete. Cada passe, cada recepção, cada movimento é uma delícia. E quando está bem fisicamente, a sua classe transforma-se numa poderosa arma de ganhar jogos. Esta noite foi mais um exemplo.


Witsel

Ganha cada vez mais espaço no Benfica. Inteligente tacticamente, evoluído tecnicamente e forte fisicamente, mostrou também ser eficaz na hora de rematar. Dois golos numa grande exibição.


Luisão e Emerson

O capitão festejou os 300 jogos pelo Benfica com um golo e uma boa exibição. Garay também brilhou, com dois grandes cortes, e Emerson aguentou-se muito bem frente a Ruiz, um dos melhores no Twente. E Artur adiou enquanto pôde o golo dos holandeses.


NegativoCo Adriaanse

Para quem se gaba de jogar ao ataque, montou uma equipa que foi esmagada pelo Benfica. Foi medroso na primeira parte e agiu tarde de mais. E não se percebe como desperdiça um jogador como Ruiz nas alas.


Gaitán

É um negativo pouco negativo, mas o argentino foi a unidade menos brilhante no Benfica. Apesar de alguns desequilíbrios importantes na primeira parte, perdeu-se em individualismos e na obsessão por marcar golos bonitos.


Ficha de jogo

Jogo no Estádio da Luz, em Lisboa. 



Assistência

Cerca de 40 mil espectadores.

Benfica

Artur, Maxi Pereira, Luisão, Garay, Emerson, Javi García, Alex Witsel, Gaitán (Bruno César, 74’), Aimar, Nolito (Matic, 74’) e Cardozo (Saviola, 84’).

Treinador

Jorge Jesus

Twente

Nikolay Mihaylov, Tim Cornelisse, Douglas, Peter Wisgerhof, Dwight Tiendalli, de Jong, Brama (Denny Landzaat, 76’), Janssen (Emir Bajrmi, 59’), Bryan Ruiz, Marc Janko e Steven Barghuis (Ola John, 59’).

Treinador

Co Adriaanse

Árbitro

Felix Brych (Alemanha). 


Amarelos

Douglas (15’) e Maxi Pereira (76’).

Golos

1-0, por Witsel, aos 46’; 2-0, por Luisão, aos 59’; 3-0, por Witsel, aos 66’; 3-1, por Bryan Ruiz, aos 85’.

Notícia actualizada às 22h53