Os vice-campeões
Mika foi uma das grandes figuras da selecção. Nascido na Suíça, o guarda-redes contratado pelo Benfica à União de Leiria antes do Mundial formou-se em Pombal e no clube leirense. Agora vai ser o terceiro guarda-redes no clube da Luz. Tiago Maia (formado no FC Porto e agora jogador do Santa Clara) e Luís Ribeiro (guarda-redes do Sporting que será emprestado ao Sertanense, da II Divisão) não jogaram qualquer minuto na baliza portuguesa. Na defesa, que esteve em bom plano, Cédric foi um dos destaques. O lateral-direito pertence ao Sporting e vai ser emprestado à Académica. O capitão Nuno Reis (totalista) também é jogador do clube de Alvalade e voltará a alinhar no Cercle Brugge, por empréstimo. Roderick (o outro central habitualmente titular) vai ser emprestado pelo Benfica, provavelmente ao Servette, da Suíça. Já o lateral-esquerdo Mário Rui desvinculou-se do Benfica, assinou pelo Parma e nesta época será emprestado ao Gubbio, da Série B italiana. Quem ficará na Luz é o também defesa Luís Martins, assim como o central Tiago Ferreira continuará nos juniores do FC Porto. No meio-campo, Danilo foi imprescindível. O médio formado no Benfica é do Parma desde 2010 e ainda não sabe se fica no plantel da equipa italiana, depois de ter estado emprestado ao Aris da Grécia. Pelé também jogará em Itália, no Génova, enquanto Saná se desvinculou do Benfica para assinar pelo Valladolid, da II Liga espanhola. Júlio Alves, irmão de Bruno Alves, também deixou o campeonato português (Rio Ave) para se transferir para o Atlético de Madrid B. Ainda no meio-campo, Sérgio Oliveira foi habitualmente titular, mas ainda não sabe onde jogará: pertence ao FC Porto (tem cláusula de 30 milhões de euros) e poderá ser emprestado, depois de uma época no Beira-Mar. Também formados no FC Porto, Dias, Alex e Caetano já rescindiram com o Dragão: os dois primeiros jogam agora no Santa Clara e Caetano no Paços de Ferreira. Nélson Oliveira, o mais talentoso desta selecção, terá oportunidade de mostrar serviço no Benfica e de provar que merece a cláusula de 30 milhões de euros. Rafael Lopes transferiu-se do Varzim para o V. Setúbal, enquanto Serginho (não utilizado no Mundial) pertence ao Beira-Mar e Amido Baldé será emprestado pelo Sporting ao Cercle Brugge.

Vice-campeões

Mundial vai mudar pouco na vida imediata dos sub-20 portugueses

Os jogadores desta selecção já tinham o futuro definido antes do Mundial
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Os jogadores desta selecção já tinham o futuro definido antes do Mundial Reuters

Nélson Oliveira marcou quatro golos no Mundial sub-20 e foi considerado o segundo melhor jogador da prova, apenas atrás do brasileiro Henrique, melhor marcador e decisivo no título conquistado pelo Brasil. Após uma época de empréstimo ao Paços de Ferreira, o avançado fará parte do plantel do Benfica, onde previsivelmente terá poucas oportunidades de jogar nos lugares ocupados por Cardozo e Saviola.

Mika, que foi designado o melhor guarda-redes da competição, será o terceiro guarda-redes do Benfica, que o contratou neste Verão à União de Leiria.

O médio Danilo, outra das grandes figuras portuguesas, pertence ao Parma (de Itália), esteve emprestado ao Aris da Grécia na última temporada e ainda aguarda a definição do seu futuro imediato.

Estes são três exemplos de como os jovens que acabam de se sagrar vice-campeões mundiais têm, pelo menos para já, pouco espaço nos grandes clubes portugueses. "Este Mundial permitiu revelar vários jogadores, como foram os casos do Mika, Danilo e Nélson Oliveira. É a prova de que Portugal tem excelentes jogadores para o futuro", disse ontem o seleccionador português Ilídio Vale. Certo é que, no imediato, nada de muito surpreendente acontecerá na vida destas 21 atletas, até porque quase todos partiram para a Colômbia já com o futuro definido.

Apenas Sérgio Oliveira (que integra os quadros do FC Porto e deverá ser emprestado) e Danilo (que pertence ao Parma e não se sabe se fica no plantel ou se será emprestado) não sabem onde vão jogar na temporada 2011-12. Dos outros jogadores, oito vão integrar os plantéis de equipas da I Liga, dois da II Liga e um da II Divisão; pelo menos sete vão jogar no estrangeiro (quatro nos escalões principais e três nos secundários); e um continuará a ser júnior (ver texto ao em baixo).

Apesar de oito jogadores estarem em clubes da I Liga (e ao todo dez manterem vínculos aos três "grandes"), os futebolistas que formaram a selecção sub-20 deverão ter um papel secundário no próximo campeonato. Um cenário que, no entanto, não é assim tão diferente do que aconteceu com anteriores gerações.

Após o Mundial de 1989, que Portugal venceu na Arábia Saudita, dez dos seleccionados de Carlos Queiroz alinharam na I Divisão em 1989-90, sete ficaram-se pela II Divisão e um (Brassard) continuou a ser júnior. E, pelos dados recolhidos pelo PÚBLICO, o portista Jorge Couto foi o único campeão do mundo na Arábia Saudita que, após o campeonato, teve um papel importante num grande clube, alinhando em 31 jogos pelo FC Porto. Mesmo João Pinto, já então a grande figura da selecção, só participou em 11 jogos pelo Boavista. Grandes nomes como Fernando Couto (emprestado pelo FC Porto à Académica, da II Divisão) e Paulo Sousa (que ficou no Benfica, mas só jogou quatro encontros) não tiveram afirmação imediata.

Os casos Rui Costa e Figo

A grande excepção aconteceu com a "geração de ouro" e, mesmo assim, só um núcleo restrito conseguiu de imediato assumir papel de relevo em clubes importantes. Após o título de 1991, Figo e Peixe (Sporting), Rui Bento e Rui Costa (Benfica) e João Pinto (Boavista) assumiram-se como titulares nos respectivos clubes. Depois de na época anterior ter sido júnior, Figo fez 38 jogos pelo Sporting e Peixe (que se havia estreado pela equipa principal ainda antes do Mundial) participou em 31. No Benfica, também se afirmaram dois jovens. Após um ano de empréstimo ao Fafe, Rui Costa regressou à Luz logo após o Mundial de Lisboa e alinhou em 32 jogos. E Rui Bento ainda foi mais utilizado (37 encontros). Já João Pinto regressou ao Boavista, após uma experiência mal sucedida no Atlético Madrileno e fez todo o campeonato pelo Boavista.

À excepção destes cinco, os outros futebolistas tiveram papéis secundários, incluindo Jorge Costa, que foi emprestado pelo FC Porto ao Marítimo e só mais tarde se afirmaria no Dragão.

O empréstimo de futebolistas, que já era uma prática em 1989 e 1991, continua a ser utilizada para dar experiência a jogadores jovens. A diferença é que na actualidade os clubes estrangeiros também surgem no horizonte, como é o caso do central Nuno Reis e do avançado Amido Baldé, ambos emprestados pelo Sporting ao Cercle Brugge, da Bélgica.

A lei Bosman (que permitiu a livre circulação de futebolistas em meados de 1990) marca, aliás, uma das diferenças fundamentais entre as gerações de ouro (1989 e 1991) e a actual (apelidada de coragem pelo seleccionador Ilídio Vale). É que se há 20 anos havia limites para a inscrição de estrangeiros, hoje há total liberdade quanto a jogadores do espaço comunitário.

Uma mudança que se sente de duas maneiras. Por um lado, as portas dos clubes portugueses estão mais fechadas para estes jovens valores. Por outro, os futebolistas podem explorar novos mercados, como se vê pelo facto de cinco dos 21 jogadores desta selecção já pertencerem a clubes estrangeiros.