I Liga

Benfica derrota Feirense mas só respira de alívio no fim

Nolito voltou a marcar um golo pelo Benfica
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Nolito voltou a marcar um golo pelo Benfica Hugo Correia/Reuters

O primeiro triunfo do Benfica na Liga 2011-12 foi bem mais difícil do que era esperado. A equipa da Luz derrotou o Feirense, mas sofreu (muito por culpa própria) antes de resolver o jogo no último quarto de hora. Jorge Jesus pode estar satisfeito pelo triunfo, mas certamente não dará a famosa nota artística aos seus jogadores, que facilitaram perante um rival abnegado, mas ainda com muitas lacunas.

O Feirense não jogava no Estádio da Luz desde Dezembro de 1989, quando perdeu também por 3-1, no último ano em que esteve na I Divisão. Nessa vez, cometeu uma “gracinha”, ao marcar logo os quatro minutos, com um autogolo de Veloso. Neste sábado, a surpresa da equipa nortenha apareceu na segunda parte, quando Rabiola voltou a empatar a partida (1-1) e assustou um Benfica que só nos últimos 15 minutos se livrou do empate, com um golo de Cardozo e outro de Bruno César.

Com o jogo de quarta-feira frente ao Twente já na mente, o Benfica tentou (e conseguiu) marcar cedo. Cortesia de Nolito, que, logo aos 14’, marcou o seu quinto golo em cinco jogos, aproveitando um lançamento de linha lateral longo feito por Maxi Pereira e desviado por Cardozo.

Mais uma vez assente na criatividade de Aimar e na velocidade de Gaitán, o Benfica fez uma boa meia-hora inicial e só deve a si próprio o facto de não ter ido para o intervalo com uma vantagem maior. Saviola atirou às malhas laterais (12’), Gaitán acertou no poste (18’) e Aimar rematou ao lado (20’).

Depois do ímpeto inicial, a equipa de Jesus baixou o ritmo, tornando-se mais preguiçosa, à semelhança da águia Vitória, que ontem não fez o habitual voo antes do jogo – à primeira voltou para trás e à segunda preferiu parar nas bancadas.

Ao contrário do que tinha feito na Holanda, Jesus apostou num 4x4x2, estreando Capdevila e fazendo regressar Saviola. A diferença, no entanto, esteve na atitude e não na táctica. Quando a equipa se empenhou, criou perigo. Quando não o fez, permitiu até ao Feirense entrar na discussão do resultado e chegar ao empate, com Rabiola a marcar de cabeça na sequência de um canto, perante a passividade da defesa benfiquista (53’) – que, mais uma vez, sofreu golos, algo a que só escapou por duas ocasiões nos últimos 25 encontros oficiais.

O golo despertou o nervosismo na equipa da Luz, que passou largos minutos sem criar perigo. E até foi a equipa de Santa Maria da Feira, em que se destacou a técnica dos Diogo (Rosado e Cunha) e a velocidade de Ludovic, a dispor da melhor oportunidade, com Artur a parar um bom remate de Diogo Rosado (67’).

Numa fase em que o Benfica parecia desorientado foi Maxi Pereira a resolver individualmente os problemas da equipa. O uruguaio arrancou pela direita e só parou quando viu Cardozo pronto para marcar mesmo em cima da linha de baliza (75’).

O Feirense, que reclamou um penálti aos 84’ num lance entre Ludovic e Javi García, ainda podia ter empatado outra vez (Jonathan falhou sozinho na área, 87’) e foi Bruno César a acabar com todas as dúvidas, com um belo remate de fora da área (90’). Os adeptos “encarnados” respiravam finalmente de alívio e tinham a certeza de que o Feirense ia para casa derrotado, tal como nas anteriores quatro visitas.

POSITIVONolito

Marcar cinco golos nos primeiros cinco jogos oficiais pelo Benfica é um registo assinalável. Fez uma boa primeira parte, mas depois o seu rendimento caiu bastante.


Maxi

Nem estava a fazer uma boa exibição, mas na hora em que a equipa mais precisava inventou a jogada que deu o 2-1. Às vezes, o melhor talento de um jogador é a capacidade de luta.


Ludovic

O jovem luso-francês destacou-se pela velocidade e deu muito trabalho às “águias”.


NEGATIVOLuisão

Ontem voltou a facilitar. O central brasileiro foi batido no lance do golo. Capdevila também não deslumbrou e até Garay esteve abaixo do seu nível.


Ficha de jogo

Jogo no Estádio da Luz, em Lisboa.


Assistência 35.856 espectadores.


Benfica

Artur, Maxi Pereira, Luisão, Garay, Capdevila, Javi Garcia, Gaitán (Witsel, 60’), Aimar (Bruno César, 77’), Nolito (Enzo Pérez, 83’), Saviola e Cardozo. Treinador Jorge Jesus.

Feirense

Paulo Lopes, Pedro Queirós, Fernando Varela, Luciano, Serginho (Stopira, 80’), Sténio Santos, Siaka Bamba (Mika, 73’), Diogo Cunha, Diogo Rosado, Ludovic e Rabiola (Jonathan, 70’). Treinador Quim Machado.

Árbitro

Hugo Pacheco, do Porto.

Amarelos

Diogo Cunha (45’+2’), Luciano (61’), Sténio Santos (69’), Ludovic (84’) e Saviola (90’+3’).

Golos

1-0, por Nolito, aos 14’; 1-1, por Rabiola, aos 53’; 2-1, por Cardozo, aos 75’; 3-1, por Bruno César, aos 90’+1’.

Notícia actualizada às 23h04