Energia

Central de Fukushima inspeccionada por director de agência da ONU

Amano quer saber como pode a AIEA ajudar a conter crise de Fukushima
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Amano quer saber como pode a AIEA ajudar a conter crise de Fukushima Herwig Prammer/Reuters

Os trabalhos em curso na central nuclear de Fukushima, no Japão, foram hoje passados a pente fino pelo director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), de visita ao local da mais grave catástrofe nuclear dos últimos 25 anos.

Yukiya Amano, director-geral da agência das Nações Unidas, vestiu um fato de protecção contra a radioactividade e entrou no complexo, danificado pelo tsunami que se abateu sobre o Nordeste do país a 11 de Março, depois de um sismo de escala 9 na escala de Richter.

“Quero avaliar aquilo que a AIEA pode fazer para ajudar”, disse Amano aos jornalistas numa gare perto da central nuclear. “Quero ouvir o que as equipas no terreno têm a dizer a respeito das dificuldades que encontram e os sentimentos de quem trabalha de dia e noite na central”, acrescentou. Amano deverá encontrar-se esta semana com responsáveis políticos japoneses para debater a questão da segurança nuclear.

Depois da suspensão dos circuitos de arrefecimento, o combustível nuclear de quatro dos seis reactores da central começaram a entrar em fusão, provocando explosões e libertações de radioactividade. Cerca de 80 mil pessoas a viver num raio de 20 quilómetros da central foram obrigadas a abandonar as suas casas.

Num relatório divulgado em Junho, a AIEA criticou a resposta do Japão ao acidente de Fukushima, nomeadamente por não ter cumprido a convenção de assistência prevista pela agência em caso de acidente nuclear. Esta convenção regula a cooperação entre Estados e com a AIEA para organizar a ajuda, a segurança e a comunicação.

Numa versão preliminar desse relatório, a agência salientou que os riscos de tsunami foram subestimados, mas saudou a reacção “exemplar” do Japão face à catástrofe.

O operador da central, a Tokyo Electric Power (Tepco), espera conseguir arrefecer os reactores e manter a temperatura do combustível abaixo dos 100ºC até Janeiro.