Segundo pacote de assistência financeira

Merkel afasta “avanço espectacular” sobre crise grega na cimeira de Bruxelas

Merkel avisou que só irá a Bruxelas havendo uma possibilidade real de acordo sobre a Grécia
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Merkel avisou que só irá a Bruxelas havendo uma possibilidade real de acordo sobre a Grécia Tobias Schwarz/Reuters

Na contagem decrescente para a cimeira de líderes europeus, a chanceler alemã, Angela Merkel, vem refrear os ânimos quanto à resolução do problema da dívida soberana na Europa. Nem da reunião de amanhã, nem do encontro de quinta-feira em Bruxelas se deve esperar “um avanço espectacular” em relação à questão grega, avisou.

Merkel, que avisara ainda no domingo que só se deslocaria a Bruxelas com uma real possibilidade de acordo em cima da mesa quanto ao segundo pacote financeiro que a zona euro está a desenhar para a Grécia, deixou claro que “são precisas medidas adicionais” para responder à crise das dívidas soberanas, mas “não um grande passo que solucione todos os problemas”.

Para a chanceler alemã, a discussão em torno de uma solução para a Grécia tem-se dispersado numa discussão mais lata sobre o futuro do euro, quando a resposta europeia à crise grega deve ser dada com um processo “controlado”, defendeu.

“Ouço falar de expressões como ‘reestruturação da dívida’, ‘obrigações europeias’, ‘união de transferências’ e tudo isto dá a impressão que o assunto ‘Grécia’ [e] o assunto ‘euro’ podem ser postos do mesmo lado”, sustentou, citada pela AFP.

Os termos sobre os quais giram as hipóteses de concessão do novo pacote financeiro grego dividem a zona euro, com, de um lado, a Alemanha a exigir a inclusão do sector financeiro privado no resgate e, do outro, o Banco Central Europeu a dizer que não aceitará essa solução se ela implicar uma reestruturação de dívida. É que as principais agências de notação financeiras norte-americanas já avisaram que considerarão o envolvimento dos privados como aquilo que consideram ser uma entrada em “incumprimento selectivo”.

Encontro preparatório com Sarkozy

Na véspera de irem a Bruxelas com a questão grega em cima da mesa, na quinta-feira (o dia no qual se reúnem os chefes de Estado e de Governo), os altos responsáveis de Berlim e Paris terão um encontro bilateral de preparação da cimeira. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, reunirá na capital alemã com Angela Merkel amanhã à tarde, com quem terá ainda um jantar de trabalho para ultimar o dossier mais urgente que a eurolândia tem em mãos. O encontro, que não estava sequer previsto na agenda oficial do presidente francês, foi de resto decidido apenas hoje à tarde ao telefone entre Merkel e Sarkozy.

Se, enquanto ontem, o ministro francês das finanças, François Baroin, se mostrava optimista em relação a uma resposta dos 17 estados-membros da zona euro ao mesmo tempo que Jean-Claude Trichet, reafirmava a oposição do BCE, a que preside, ao envolvimento dos privados no resgate, hoje, o Governo francês já se mostrou mais relutante.

Foi o que assumiu Jean Léonetti, ministro dos Assuntos Europeus, ao admitir, citado pela mesma agência de notícias francesa, que a cimeira talvez não dê uma solução “totalmente definitiva que regule definitivamente os problemas das dívidas soberanas dos países do euro”.

Notícia actualizada às 21h08