Olli Rehn

Bruxelas dá resposta sobre criação de agência de rating até ao Outono

Olli Rehn diz que as três agências dos EUA olham para a zona euro de uma forma particular
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Olli Rehn diz que as três agências dos EUA olham para a zona euro de uma forma particular Thierry Roge/Reuters

O comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros, Olli Rehn, garantiu hoje que Bruxelas está a estudar a possibilidade de criar uma agência de notação financeira europeia, como têm apelado vários economistas e responsáveis políticos na Europa. As conclusões serão apresentadas ainda este ano.

Ao jornal finlandês Helsingin Sanomat, que a agência financeira Dow Jones cita, Olli Rehn garantiu hoje que “os trabalhos estão a decorrer e estarão concluídos no Outono”.

Olli Rehn diz ser preciso criar um instrumento que melhor equilibre a sobre as economias, o que, no caso das três maiores agências de rating de quem o BCE aceita as avaliações sobre os Estados como garantia para a concessão de empréstimos, considera constituir um problema por serem norte-americanas.

Referindo-se à Fitch, Moody’s e Standard and Poor’s (S&P), disse que as três “olham para a actividade da zona euro de uma forma ligeiramente diferente” do que na Europa, cita a Dow Jones.

A confirmação de que a Comissão Europeia tornará mais claro nos próximos meses se avança para a criação de uma agência de notação financeira acontece numa semana em que a zona euro deu sinais de mal-estar em relação às decisões das agências norte-americanas.

Primeiro, o anúncio da S&P de que considerará a participação dos bancos privados europeus no novo pacote de assistência à Grécia como uma entrada em incumprimento foi mal recebida pelas autoridades de Bruxelas e por Paris e Berlim, que acordaram com o seu sector privado financeiro o envolvimento no novo plano europeu.

A revisão em baixa da dívida portuguesa pela Moody’s, na terça-feira, para o nível “lixo” provocou uma onda de indignação não só em Portugal, como de Bruxelas a Berlim.

Governo português, Comissão e BCE consideraram a descida injusta e sem razão óbvia, estando o executivo de Pedro Passos Coelho em funções há apenas duas semanas e tendo já anunciado medidas de correcção orçamental que vão além do exigido no memorando de entendimento com a troika internacional.

Uma das recomendações que o Parlamento Europeu decidiu esta semana foi a redução da dependência europeia das agências de rating e também o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, deixou críticas à forma de actuação das agências norte-americanas, acusando-as de acrescentarem “especulação” nos mercados.