Adelina Sá Carvalho reconduzida para cortar despesas na AR

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A responsável coordenou a construção do edifício novo do Parlamento DANIEL ROCHA
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A responsável coordenou a construção do edifício novo do Parlamento DANIEL ROCHA

O objectivo é reduzir custos e a sua longa experiência como secretária-geral é vista como uma mais-valia que leva à recondução no cargo

Ainda não é oficial e a própria ainda não terá aceite, mas tudo indica que a juíza-conselheira Adelina Sá Carvalho irá ser reconduzida no cargo de secretária-geral da Assembleia da República (AR). O objectivo desta recondução prende-se com a necessidade real que o Parlamento vai enfrentar de reduzir radicalmente custos de funcionamento. Ou seja, é bom que à frente da gestão interna dos serviços parlamentares esteja alguém que conheça bem a casa e que saiba exactamente onde e como pode ser cumprida esta missão.

Contactada pelo PÚBLICO, Adelina Sá Carvalho recusou-se a falar sobre o assunto. Mas tudo indica que, se esta juíza-conselheira do Tribunal de Contas aceitar, continuará à frente da secretaria-geral da Assembleia. A concretizar-se, este será já o seu quinto mandato como secretária-geral.

Adelina Sá Carvalho tem uma longa experiência à frente da secretaria-geral da Assembleia da República e também, por inerência, como membro do conselho de administração. Refira-se que os representantes partidários neste órgão de gestão do Parlamento já foram eleitos e são Couto dos Santos, pelo PSD, José Lello, pelo PS, João Rebelo, pelo CDS, Bruno Dias, pelo PCP, e João Semedo, pelo Bloco de Esquerda.

A primeira vez que Adelina Sá Carvalho foi secretária-geral da Assembleia da República foi a 1 de Janeiro 1996, estava no início a primeira maioria parlamentar do PS de António Guterres e presidia à Assembleia da República António de Almeida Santos.

Faria então dois mandatos, estando no cargo até 2002. Neste primeiro consulado que cumpriu na secretaria-geral, a juíza-conselheira pôde usar a sua experiência de fazer reestruturação na administração pública: foi directora-geral da Função Pública de Março de 1975 até Maio de 1981, tendo sido ela que fez a reestruturação de carreiras e de salários da administração pública a seguir ao 25 de Abril, esteve depois como secretária-geral do Ministério da Educação a partir de 1988, ingressando em 1990 no Tribunal de Contas como juíza-conselheira.

É nesses dois mandatos que Adelina Sá Carvalho se distingue como secretária-geral. Primeiro, pela forma como conduz administrativamente todo o processo que se iniciou sob a presidência parlamentar de António de Almeida Santos de moralização do regime de viagens dos deputados, depois de vários escândalos sobre abusos.

Os dois mandatos ficam também marcados pela coordenação do lançamento dos projectos de construção do edifício novo do Parlamento. Foi também marcante a reconversão que fez do Museu da Assembleia da República.

Quando o PSD volta a ganhar eleições em 2002, Adelina Sá Carvalho termina a sua comissão de serviço no Parlamento e regressa ao seu lugar no Tribunal de Contas. E foi então substituída por Isabel Leiria, que tinha sido subsecretária de Estado de Cavaco Silva, tendo então coordenado a reforma das carreiras da função pública de 1991.

Em 2006, Adelina Sá Carvalho volta à Assembleia da República como secretária-geral, quando o PS volta a ganhar eleições e manteve-se desde então como secretária-geral, lugar em que a nova maioria PSD-CDS, desta vez, a quer reconduzir.

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