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Terramoto Villas-Boas atingiu FC Porto, fica por determinar a intensidade do abalo

Hulk e Falcao, dois jogadores muito pretendidos
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Hulk e Falcao, dois jogadores muito pretendidos Gabriel Tavares/Nfactos (arquivo)

A 2 de Julho de 2010, quando o FC Porto iniciou os trabalhos de pré-época para 2010-11, a dúvida chamava-se André Villas-Boas. Os cépticos sobre as capacidades do jovem treinador eram muitos, mesmo dentro da estrutura "azul e branca", e a tarefa do técnico era tudo menos simples.

A dois dias de se completar um ano sobre essa data, o início da temporada portista volta a estar repleto de interrogações e Villas-Boas está novamente no epicentro das dúvidas mas por razões inversas. Como vai o balneário reagir ao terramoto provocado pela deserção do treinador e quais serão as ondas de choque (saídas de jogadores) que se seguirão são questões, por enquanto, sem respostas.

Após a conquista da Taça de Portugal, que fechou com chave de ouro uma época (quase) perfeita, as expectativas dos adeptos portistas para 2011-12 estavam altíssimas e uma (Fernando) ou outra (Rolando) saída não colocava em causa um projecto em que a continuidade do líder (Villas-Boas) e das principais figuras (Falcao, Moutinho e Hulk) parecia inquestionável. Mas, num ápice, tudo mudou.

A 21 de Junho, cerca de uma semana antes de começar a pré-época, chegou ao Estádio do Dragão o fax com a comunicação da rescisão unilateral do contrato de Villas-Boas e Pinto da Costa reagiu apresentando a solução de menor risco: Vítor Pereira. O ex-adjunto do novo treinador do Chelsea garante uma continuidade sem rupturas.

"O que passou, passou. O clube vai continuar a ganhar, os jogadores vão perceber que o processo e a estrutura do FC Porto são muito fortes e não vão sentir qualquer problema", afirmou Vítor Pereira na sua apresentação como técnico principal. Mas para Pinto da Costa, Antero Henrique e Vítor Pereira, a maior preocupação não é a ausência de Villas-Boas no banco na próxima época. Para a troika "azul e branca" o quebra-cabeças são as réplicas que, certamente, se seguirão.

Apesar da cláusula de rescisão de 30 milhões de euros colocar Falcao no topo das melhores relações preço/qualidade a nível mundial, até Villas-Boas sair parecia um dado adquirido que o colombiano ia permanecer mais uma época no Dragão. Com a saída do treinador, o cenário mudou e a transferência do avançado para Stamford Bridge é um dos estragos que o terramoto Villas-Boas pode causar. E o senhor seguinte pode ser João Moutinho. A esta dupla de luxo, que apenas sairá se Abramovich pagar o valor da cláusula de rescisão, é preciso juntar Fernando e Rolando, jogadores que têm vários clubes interessados e foram colocados no mercado. Inesperadamente, as indefinições no plantel passaram a ser muitas e com o final do projecto Villas-Boas sossegar o balneário e manter Hulk & companhia com a cabeça no Dragão tornou-se a prioridade.

Até ao momento, são quatro os reforços portistas. Bracalli e Djalma chegaram a custo zero e na contratação de duas jovens promessas (Iturbe e Kelvin) o FC Porto gastou cerca de cinco milhões de euros. Mas as entradas não vão, certamente, ficar por aqui. Mesmo que Rolando não seja transferido, não é de descartar a chegada de mais um central e no ataque há uma vaga em aberto (se Falcao sair, serão duas) para a qual o ex-maritimista Kléber é o principal candidato. As restantes movimentações estarão dependentes de possíveis saídas de jogadores.

Com maior ou menor sangria no plantel, é inequívoco que os portistas partem como favoritos para a conquista do título, ao contrário de há um ano. Mas se no passado os responsáveis "azuis e brancos" já mostraram saber reagir à saída de jogadores decisivos, na memória dos adeptos estará ainda a época desastrada após o abandono de José Mourinho e o insucesso em 2009-10, depois das transferências de Lucho e Lisandro.

Equipa técnica

Vítor Pereira (treinador), Rui Quinta, Filipe Almeida, Semedo, Will Coort (adjuntos).

Saídas (confirmadas)

Mariano González.

Início dos treinos

Hoje. Estágio em Marienfeld, na Alemanha, de 7 a 17 de Julho.

Jogos particulares

Tourizense (Olival, 06/07), Gutersloh (Gutersloh, 10/07), Borrusia Moenchengladbach (Oberhause, 16/07), Peñarol (Dragão, 24/07).

Primeiro jogo oficial

7 de Agosto - Supertaça, em Aveiro, frente ao Vitória de Guimarães.

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