Manifestações pacíficas contra políticas de combate à crise

Movimento 15M volta a encher o centro de Madrid

Os organizadores falam em 50 mil manifestantes
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Os organizadores falam em 50 mil manifestantes Andrea Comas/Reuters

Dezenas de milhares de “indignados” – 40 mil segundo a polícia, mais de 50 mil de acordo com os organizadores – responderam à convocatória do movimento 15 de Maio (15M) e manifestam-se hoje em Madrid contra as políticas governamentais de combate à crise. Durante a tarde, o protesto repete-se em dezenas de outras cidades espanholas.

Os manifestantes partiram logo pela manhã de seis zonas distintas da capital, juntando-se ao início da tarde na praça Neptuno, junto ao Congresso dos Deputados. Segundo a imprensa local, não houve quaisquer incidentes e a presença policial só se faz notar com maior força junto ao Parlamento, rodeado de barreiras.

As marchas do 19J, já considerado o “dia D” do movimento dos indignados, acontecem uma semana depois de levantado o acampamento que durante um mês esteve instalado na Porta do Sol. Como então, os manifestantes, sobretudo jovens, protestam contra as medidas decididas para enfrentar a crise, a actuação dos bancos e dos políticos.

Mas é sobretudo o Pacto do Euro – o acordo conseguido em Março pelos Vinte e Sete para aumentar a competitividade e combater os défices galopantes – que preocupa o movimento. “Vêm aí mais cortes brutais”, disse ao “El País” Luis Fernández, da associação de desempregados Adesorg, acusando a classe política de “ter vendido o país, que já não é dos espanhóis, é da banca”.

Segundo as plataformas pertencentes ao 15M, para esta tarde estão previstos 98 manifestantes em Espanha, mas também noutras cidades europeias, como Paris. As atenções estarão centradas em Valência e sobretudo em Barcelona, onde na última terça-feira uma concentração degenerou em insultos e mesmo algumas agressões contra deputados do Parlamento regional. Para evitar a repetição dos incidentes, os organizadores relembram que “o movimento repudia qualquer tipo de violência”.