Rede de cuidados de Pediatria cobre quase todo o país

Estudo mostra que 86,8 por cento das crianças são servidas por uma urgência a 30 minutos de casa

Pelo menos 86,8 por cento da população portuguesa até 14 anos tem acesso a uma urgência pediátrica a 30 minutos de viagem das suas casas. Esta é uma das conclusões de um relatório da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) sobre a Caracterização do Acesso dos Utentes a Cuidados de Saúde Infantil e Juvenil de Pediatria.

Segundo este relatório, as regiões do país em que é maior a percentagem de população com acesso fácil a unidades de Pediatria são as do "litoral mais urbanizado do país". Com base num estudo que teve em conta cinco dimensões (proximidade, capacidade, adequabilidade, aceitabilidade e esforço financeiro), não se encontraram "barreiras significativas impeditivas ao acesso", refere o documento.

A acessibilidade não se mede, no entanto, apenas pela existência de estabelecimentos próximos das populações, mas também pela capacidade de oferta desses estabelecimentos. E os resultados indicam que existe uma relação positiva no "ajustamento entre o número de postos de trabalho dos médicos e a procura potencial".

Nos centros de saúde não se verificam barreiras ao acesso dos utentes às consultas de Pediatria e, no que respeita à proximidade, "a cobertura dos pontos de oferta públicos e não públicos que oferecem consultas de Pediatria será de pelo menos 94,8 por cento da população em idade pediátrica, considerando transporte em automóvel até 30 minutos", conclui-se.

Segundo os autores do relatório, foram identificados alguns problemas: a "percentagem de estabelecimentos em que a marcação de primeiras consultas por telefone não é possível - oito por cento - e a percentagem de estabelecimentos em que o atendimento das ligações telefónicas efectuadas só foi possível após duas ou mais ligações", que ascendem a 26 por cento do total.

Em dez por cento dos estabelecimentos, os períodos de espera desde a marcação até à consulta foram superiores a um mês. Um grande número desses estabelecimentos de saúde marcou consulta num prazo de até duas semanas (79 por cento). No entanto, os períodos de espera foram em alguns casos (dez por cento) superiores a um mês e o prazo de espera máximo registado foi de 43 dias. Um inquérito anterior da ERS sobre o acesso aos Cuidados de Saúde Primários do SNS já indicara que 11 por cento dos utentes esperaram mais de um mês pelo dia da consulta.

Em 71 por cento dos estabelecimentos, "não foi possível marcar a consulta directamente em horários alternativos ao horário que se considerou como sendo representativo de um horário normal de trabalho", o que foi identificado como um facto "impeditivo a um acesso mais facilitado dos utentes às consultas".

Na maioria (67 por cento) dos estabelecimentos que compuseram a amostra deste estudo, a acessibilidade para deficientes físicos às consultas de Pediatria foi considerada "apropriada".

Quanto ao "esforço financeiro" - outro dos aspectos tidos em conta no relatório e relativo apenas à oferta privada -, "verificou-se uma concentração de preços na faixa entre 55 e os 60 euros, tendo o preço médio sido de 61,41 euros". O preço máximo encontrado foi de 90 euros e o mínimo de 35 euros.