Ruínas romanas de Tróia reabrem hoje ao público após 20 anos de abandono

Empresa turística do grupo Sonae investiu 150 mil euros na recuperação de estação arqueológica que é monumento nacional

Após quase duas décadas ao abandono, as ruínas romanas de Tróia abrem hoje ao público com visitas guiadas, resultado de um investimento de mais de 150 mil euros promovido pela Sonae Turismo.

Classificadas como monumento na-?cional desde 1910, aquelas ruínas incluem estruturas com cerca de dois mil anos de história.

As ruínas romanas de Tróia são, na opinião de Jorge Alarcão, presidente da comissão científica que estudou o espaço, "a mais antiga zona arqueológica a ser escavada, ainda no tempo em que a rainha D. Maria I era infanta", sendo alvo de pesquisas e estudos ao longo de mais de 400 anos.

O espaço que agora fica disponível para ser visitado inclui uma zona residencial, termas, necrópoles, um mausoléu e uma basílica paleocristã, inseridos num "complexo de produção de salgas de peixe que, posteriormente, se tornou um aglomerado urbano", conforme explica Inês Vaz Pinto, que coordenou a equipa de arqueólogos.

O investimento público-privado foi inaugurado ontem pelo secretário de Estado da Cultura. Elísio Summavielle salientou a importância do património numa "nova lógica de cultura e de turismo cultural que tem cada vez mais procura". Ligado à área do património há cerca de 30 anos, o governante referiu o "interesse pessoal" no projecto, uma vez que este foi o primeiro protocolo que assinou quando presidia ao extinto Ippar, actual Igespar, em 2005. "O tempo em arqueologia é muito diferente do tempo de calendário, e nem sempre os prazos são tão rápidos quanto desejamos, mas a equipa que a Sonae aqui colocou conseguiu recuperar este espaço num tempo recorde."

O espaço arqueológico aberto aos visitantes oferece agora percursos com cerca de 450 metros, constitui uma pequena parte daquilo que os arqueólogos acreditam ser o complexo industrial de salga de peixe. Inês Vaz Pinto acredita que por agora esteja visível apenas "uma quinta parte, ou menos, daquilo que está enterrado. Foram feitas sondagens e escavações arqueológicas que indicam que toda a zona de dunas envolvente encerra em si, sob as areias, a continuação da urbe".

Durante os últimos cinco anos de trabalho, a arqueóloga destaca "os momentos em que se fez mais uma descoberta, em que se chegou mais longe" como os pontos altos. "Descobrimos um nível de construção da grande oficina de salga referente ao tempo de Tibério, ou seja, primeira metade do século I. Havia já vestígios da segunda metade do século I, mas com estas escavações recuámos uns 25 anos, o que em arqueologia significa mais um passo".

Os achados e artefactos encontrados nas escavações, "muita cerâmica, loiças finas, ânforas, espinhas de peixes - que demonstram que a sardinha era o peixe mais utilizado na salga -, conchas de ostras, de lingueirão e de mexilhão e ossadas de cinco indivíduos, todos identificados como sendo de crianças, serão posteriormente mostrados num centro de interpretação a construir na zona das ruínas" pela Sonae (grupo que detém o jornal PÚBLICO.

As visitas têm um custo entre os quatro e os 7,5 euros, por pessoa. As visitas escolares são gratuitas.

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