1917-2011

Morreu a artista surrealista Leonora Carrington

Leonora Carrington era considerada a última figura viva do surrealismo
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Leonora Carrington era considerada a última figura viva do surrealismo DR

Pintora e escultora, namorou com Marx Enrst, um dos expoentes do surrealismo, e com ele fugiu para Paris onde privou com Picasso, Salvador Dalí, Marcel Duchamp, André Bretón, Luis Buñuel e Joan Miró. Leonora Carrington morreu de pneumonia esta quinta-feira no México, onde passou parte da sua vida. Tinha 94 anos.

Nascida em 1917, em Chorley, na Inglaterra, Leonora Carrington foi uma artista rebelde que viveu e viajou por vários países, até se estabelecer no México, onde passou os últimos 70 anos, longe da fama.

Apreciada por muitos, Leonora Carrington era considerada como uma das últimas artistas originais do surrealismo, destacando-se na arte com as suas esculturas e pinturas de mundos oníricos e fantásticos.

Antes de se estabelecer no México, a pintora esteve três anos em Paris a acompanhar o seu então namorado e também artista, Max Ernst. Um romance que terminaria de forma trágica com Ernst a ser perseguido pelos nazis. “Foram momentos muito felizes, mas chegou um momento em que só falávamos de Hitler, e então acabou essa felicidade”, disse uma altura a artista.

Leonora Carrington viu-se assim obrigada a fugir, primeiro para Espanha e depois para Lisboa, onde conheceu Renato Leduc, um escritor mexicano, e com quem se mudou para o México em 1941. Relação que também não foi bem-sucedida e que acabaria dois anos depois.

Uma vida agitada, com muitas aventuras pelo meio, e que valeu à escritora Elena Poniatowska, sua amiga durante mais de 50 anos, o prémio Biblioteca Breve 2011, com o livro sobre a sua vida, “Leonora”.

Também em 1995, Leonora Carrington viu a sua vida ser representada no cinema, num filme, “Carrington”, realizado por Christopher Hampton e protagonizado por Emma Thompson.

“Leonora é uma pintora do tamanho de Frida Kahlo e a última figura que existe do surrealismo”, disse ao “El País” Elena Poniatowska.

A sua arte chegou à rainha Isabel de Inglaterra, que a condecorou com a Ordem do Império Britânico, em 2005.

Entre as suas obras destacam-se os trabalhos: "La giganta", "Quería ser pájaro", "Laberinto", "El despertar", "Y entonces vi a la hija del Minotauro" e "El juglar".

Notícia corrigida dia 27 de Maio às 16h41