Liga Europa

Uma ligeira turbulência na escala do FC Porto a caminho de Dublin

Derrota por 3-2 vale apuramento
Quinta final europeia do FC Porto

Falcao marcou o seu 17.º golo na Liga Europa
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Falcao marcou o seu 17.º golo na Liga Europa Reuters

De um lado (Villarreal), garantiam que “iam deixar a pele em campo” para conseguir a “remontada”. Do outro (FC Porto), prometiam empenho máximo, porque “quem está à porta de uma final não pode facilitar”. No campo, assistiu-se a mais uma demonstração de força do campeão nacional 2010-11. Após a goleada na primeira mão por 5-1, confirmou-se que a pequena cidade de Vila-real era apenas uma curta escala numa viagem que terá Dublin como destino final. O Villarreal ainda assustou, mas, a partir dos 40’ (golo de Hulk), as ilusões espanholas acabaram. Apesar da derrota por 3-2 (a primeira fora de casa esta época), a presença dos portistas pela quinta vez numa final europeia nunca esteve em causa.

Na antevisão da partida, 
Villas-Boas foi confrontado com a pergunta: “Qual será a reacção do FC Porto se sofrer um golo? E um segundo?” O treinador soltou uma gargalhada e perguntou se iam ficar pelos dois. Depois, mais a sério, disse que a equipa teria que “saber reagir às adversidades”. E, na verdade, o Villarreal foi a primeira equipa a colocar esta época, por largos minutos, o FC Porto encostado às cordas. Mas a equipa portuguesa fez o que treinador disse. Sofreu, aguentou a pressão, não perdeu a cabeça após Cani marcar, reagiu no momento certo e arrumou com a eliminatória.

No duelo táctico do El Madrigal ninguém fez bluff. Juan Carlos Garrido, treinador do Villarreal, prometeu jogar com três avançados (Nilmar, Rossi e Marco Ruben) e apostou num “onze” de risco total. A estratégia resultou no início. Cazorla e Cani surgiam perto do tridente ofensivo e, com cinco setas apontadas à baliza de Helton, a defesa portista viveu vários minutos sem descanso. Nilmar afirmara que o Villarreal precisava de marcar nos primeiros 15’ e o desejo do brasileiro não foi cumprido por pouco. Aos 7’ e 10’ Cani e Rossi ameaçaram, mas aos 17’ Cani marcou num lance em que existe fora-de-jogo.

Villas-Boas também cumpriu. Garantiu colocar em campo os jogadores que “dão a máxima garantia de sucesso” e, por isso, Moutinho jogou, correndo o risco de falhar a final se visse um amarelo. O médio acabou por ser decisivo nos momentos de maior sufoco. Ao lado de Fernando formou uma barreira à frente da defesa, mas Rossi e Marco Ruben voltaram a estar perto do golo até que, aos 32’, Cristian Rodríguez saiu lesionado (entrou James). Aí, o jogo já estava diferente, a bola mais distante da baliza de Helton e, como todos os campeões, o FC Porto beneficiou da estrelinha da sorte: aos 40’, Hulk rematou, a bola desviou em Musacchio e traiu López, afundando de vez o “submarino amarelo”.

O Villarreal entrou na segunda parte a precisar de quatro golos para levar a partida a prolongamento, mas qualquer esperança que Garrido tivesse morreu nos pés do inevitável Falcao. Com apenas dois minutos, o colombiano foi assistido por Guarín e, na cara de López, apontou o 16.º golo na Liga Europa esta época. Villas-Boas não perdeu tempo e tirou Moutinho de campo, mas mais tarde perdeu Fernando por lesão. Depois, já com o pé longe do acelerador, os portistas sofreram dois golos em cinco minutos (Capdevila aos 75’ e Rossi aos 80’, de penálti). A derrota resultou apenas numa pequena turbulência numa viagem que acabará no dia 18, em Dublin.

POSITIVOJuan Carlos Garrido

O treinador do Villarreal fez o que tinha que fazer. Arriscou tudo e chegou a colocar problemas ao FC Porto. Mas os portugueses foram mais fortes.


Guarín

O médio colombiano jogou mais adiantado do que é habitual, mas voltou a confirmar que atravessa um excelente momento de forma.


Helton

Foi provavelmente o jogo em que teve mais trabalho esta temporada. Com três ou quatro defesas de nível, Helton não permitiu que os espanhóis acreditassem na reviravolta.


Marco Ruben

Chegou a ser um pesadelo para a defesa portista. Com os golos de Hulk e Falcao perdeu gás, tal como a equipa.


NEGATIVOLesões

André Villas-Boas correu riscos ao colocar em campo João Moutinho, mas os problemas para o treinador não surgiram de questões disciplinares. As lesões de Cristian Rodríguez e Fernando foram as únicas notícias negativas para o 
FC Porto no El Madrigal.


Ficha de jogo

Villarreal 3
FC Porto 2

Jogo no Estádio El Madrigal, em Villarreal. Assistência Cerca de 20.000 espectadores.

Villarreal

Diego López 5, Mário Gaspar 5, Musacchio 5, Bruno Soriano 5, Capdevilla 6, Cani 7, Matilla 5 (Mubarak 5, 57’), Santi Cazorla 6 (Marchena 5, 58’), Nilmar 6 (Senna 5, 67’), Rossi 7 e Marco Ruben 7. Treinador Juan Carlos Garrido

FC Porto

Helton 7, Sapunaru 6, Rolando 6, Otamendi 6, Álvaro Pereira 5, Fernando 6 (Ruben Micael 5, 61’), Guarín 7, João Moutinho 7 (Souza 5, 52’), Cristian Rodriguez 5 (James Rodriguez 7, 32’), Hulk 7 e Falcao 6. Treinador André Villas-Boas

Árbitro

Gianluca Rocchi 5, de Itália. Amarelos Falcao (25’), Soriano (53’), Sapunaru (60’), Mubarak (62’), Otamendi (79’).

Golos

1-0, por Cani, aos 17’;


1-1, por Hulk, aos 40’;


1-2, por Falcao, aos 48’;


2-2, por Capdevila, aos 75'


3-2, por Rossi, aos 80’ (g.p.)