Crónica de jogo

Sp. Braga é um grande na Europa

Primeira final europeia dos minhotos
Benfica interrompe série de 35 jogos a marcar

Mossoró festeja o apuramento para Dublin
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Mossoró festeja o apuramento para Dublin Reuters

Afinal, o jogo com o Benfica era apenas o segundo mais importante da história do Sporting de Braga. O primeiro duelo português nas competições europeias vai ter um sucessor e o clube minhoto vai estar nele depois de vencer o Benfica por 1-0, em Braga, na segunda mão da meia-final da Liga Europa, resultado que chegou para ganhar a eliminatória.

Dublin é um destino para o qual ninguém provavelmente imaginava que o Sp. Braga pudesse viajar, mas é lá que os “guerreiros do Minho” vão, justamente, terminar a época, contra o FC Porto. Desafiar as probabilidades é uma expressão que resume a campanha europeia da equipa de Domingos Paciência.

Depois de 35 jogos consecutivos a marcar, o Benfica escolheu uma má altura para ter a pontaria desviada e para fazer um jogo pouco brilhante. O Sp. Braga precisava de acertar na baliza de Roberto pelo menos numa vez e entrou menos expectante do que o Benfica, tentando-o com quatro homens de cariz ofensivo. Vandinho esteve suspenso para este jogo, mas foi decisivo nos dois encontros. Primeiro, ao marcar na Luz um golo que, soube-se nesta quinta-feira, valeu um pote de ouro. Depois, porque foi o seu substituto no “onze”, Custódio, que marcou o único golo da partida.

O lance que a formação de Jorge Jesus temia aconteceu cedo no jogo, aos 18 minutos, num momento em que o Sp. Braga estava melhor. Hugo Viana, como sempre ao longo do encontro, deu o melhor destino à bola e apareceu Custódio a fazer num canto talvez o golo mais importante da história do clube. O duelo luso começou com sete portugueses entre os 22 titulares e um deles decidiu tudo. A seguir, Sílvio poderia ter colocado o Sp. Braga em maior vantagem na eliminatória, mas o remate saiu ao lado.

Aos 32’, houve a primeira sensação de perigo na baliza de Artur, que esteve sempre seguro, mas até ao intervalo a resposta aconteceu mais aos soluços do que com fluidez. Saviola, servido por Cardozo, que estaria em fora-de-jogo, atirou ao poste e Coentrão falhou a recarga, mas não havia fluidez no jogo da equipa, que tinha dificuldade, também por mérito dos defesas e dos médios do Sp. Braga, em arrancar com o seu jogo ofensivo.

Jesus, que sofreu a nona derrota em 12 jogos enquanto treinador visitante em Braga, e o Benfica arriscaram mais na segunda parte, mas o Sp. Braga apanhou-se numa situação em que já provou estar confortável, defendendo o resultado de forma superior. Antes de uma jogada brilhante de Mossoró a que só faltou o remate final, Jara atirou ao lado e depois foi Artur a ser decisivo (num remate de Gaitán e antecipando-se a Coentrão).

Os bracacrenses, que geriram bem o jogo, responderam e Viana e Custódio justificaram a escolha de Jesus em Roberto, pois o espanhol fez duas defesas que evitaram o dilatar do marcador. A última hipótese do Benfica, que procurava a primeira final europeia desde 1990, desperdiçou-a Kardec.

O Sp. Braga fê-lo novamente. Partiu como outsider, mas mais uma vez sobreviveu e agora já só tem um adversário, que vive a cerca de 50 quilómetros, entre si e a glória europeia. Apesar das saídas de Moisés, Matheus, Luis Aguiar, Madrid e Felipe, apesar de ter de completar o banco de suplentes com três jogadores do satélite Vizela, este orgulhoso Sp. Braga não falha.

Desafiou as probabilidades, sim, mas mais uma vez o que se notou é que os gigantes que se atravessaram no seu percurso têm também bastante probabilidade de ficar pelo caminho.

POSITIVO
Sp. Braga

Após 90 anos de vida (e uma Taça de Portugal), o Braga consegue o maior feito da sua história: a estreia numa final europeia. Começou a época a dar que falar na Liga dos Campeões e também não se deu nada mal na Liga Europa. Marcou apenas seis golos na prova, mas espremeu sumo de todos eles.


Domingos Paciência

As finais europeias escaparam-lhe enquanto jogador, mas como treinador não demorou a chegar a uma.


Guarda-redes

Artur e Roberto foram dois dos melhores em campo e resolveram tudo (ou quase tudo) o que tinha solução.


Hugo Viana e Custódio

A dupla de médios-centro arsenalista foi decisiva no golo, mas também no resto do jogo. Viana foi o mais calmo, no bom sentido, em campo. Custódio foi muito batalhador, cortando e desviando muitas bolas.


NEGATIVOBenfica

Partiu como favorito, mas no confronto europeu entre o 2.º e o 3.º do campeonato nacional foi a equipa menos rica que prevaleceu, colocando um ponto final numa época benfiquista que correu mal. Saviola e Gaitán tiveram um dia negativo.


Incidentes

Houve desacatos após o jogo: no estádio, a polícia teve de intervir na bancada onde estavam os adeptos do Benfica.


Ficha de jogo

Sporting de Braga 1
Benfica 0

Jogo no Estádio Municipal de Braga.Assistência 25.384 espectadores.

Sp. Braga

Artur Moraes 7, Miguel Garcia 7, Paulão 6, Rodriguez 7, Sílvio 7, Custódio 7, Hugo Viana 7, Mossoró 6 (Kaká 6, 79’), Alan 6, Lima 6 (Leandro Salino 6, 73’) e Meyong 6 (Hélder Barbosa, - 87’). Treinador Domingos Paciência

Benfica

Roberto 7, Maxi Pereira 6, Luisão 7, Jardel 6, Fábio Coentrão 6, Javi Garcia 6, César Peixoto 5 (Jara 6, 58’), Carlos Martins 6 (Kardec 5, 81’), Gaitán 5, Saviola 5 (Felipe Menezes, - 86’) e Cardozo 6. Treinador Jorge Jesus

Árbitro

Martin Atkinson 6, de Inglaterra. Amarelos Sílvio (03’), César Peixoto (50’), Maxi Pereira (59’), Paulão (60’), Fábio Coentrão (75’), Luisão (90+2’), Artur Moraes (90+5’).

Golo

1-0, por Custódio, aos 19’.


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