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Produtores florestais dizem que Governo podia ter ido mais além no cadastro das terras

Os produtores acham que as suas organizações poderiam ajudar no cadastro
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Os produtores acham que as suas organizações poderiam ajudar no cadastro Carlos Lopes

A Federação Nacional das Cooperativas de Produtores Florestais, Fenafloresta, congratulou-se hoje com o cadastro das terras, mas defendeu que o Governo podia ter ido mais além e sugeriu o contributo das organizações de produtores florestais (OPF).

“Congratularmo-nos com a decisão de avançar com a execução do cadastro de terras em Portugal, após dois anos de ter sido anunciado o concurso público internacional”, disse a federação em comunicado.

O secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Rui Barreiro, anunciou a 21 de Abril que as Zonas de Intervenção Florestal (ZIF) vão contribuir para a elaboração do cadastro de terras em Portugal, com o arranque este verão de três projectos-piloto.

Citando a ministra do Ambiente, Dulce Álvaro Pássaro, a dizer que “este primeiro cadastro tem um carácter de demonstração”, a Fenafloresta pergunta “como é possível ainda estarmos numa fase experimental” e se “durante dois anos iremos cadastrar sete concelhos de 308”.

“A Fenafloresta acredita que poderia ter sido dado um passo mais firme e categórico. Não estamos num tempo de experiências”, lê-se na nota.

A federação defendeu ainda que as organizações de produtores florestais (OPF) “poderiam dar um contributo importante” no cadastro das terras.

“Todas as OPF estavam em melhores condições para a execução deste trabalho, porque já possuem em arquivo o levantamento de GPS das terras, conhecem os proprietários e estão no terreno todos os dias”, segundo o comunicado.

“Através das OPF o mesmo trabalho poderia ser feito com metade dos recursos ou poderia ser cadastrado o dobro dos concelhos com o mesmo orçamento”, ressalvou.

Para a Fenafloresta “entregar o trabalho a empresas não foi a melhor solução, nem pode ser a melhor solução para o cadastro de todos os outros concelhos que ficam a faltar em Portugal”.

“Integrar as OPF é o caminho com menores custos”, defendeu.

A fase inicial do cadastro das terras deverá começar até ao verão nos concelhos de Loulé, São Brás de Alportel, Tavira, Oliveira do Hospital, Seia, Paredes e Penafiel, num trabalho que terá um custo de 16,7 milhões de euros, dos quais 70 por cento de comparticipação comunitária.