Negociadores europeus querem pacote “no mínimo” de 80 mil milhões de euros, FMI 60 mil milhões

Desentendimento na troika sobre o montante da ajuda a Portugal “está a atrasar o acordo”

Foto: Enric Vives-Rubio
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Foto: Enric Vives-Rubio

Uma forte divergência entre os membros da troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI) sobre o montante total da ajuda externa a Portugal está em risco de rebentar com o calendário de conclusão e anúncio do programa de assistência e provocar um sério problema ao país.

De acordo com os planos das três instituições que estão há três semanas a negociar os termos do pacote de ajuda, o processo deveria ter sido concluído o mais tardar hoje, de forma a poder ser tornado público, como previsto, amanhã.

Mas, de acordo com o que o PÚBLICO apurou, o acordo continua por concluir e, pior, o processo está todo atrasado. O que significa que “não vai haver conferência de imprensa amanhã em Lisboa” para o anúncio do acordo, afirmou uma fonte europeia. “Há um desentendimento sobre o montante” do pacote de ajuda que “está a atrasar o acordo”, explicou.

De um lado, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE) defendem que a ajuda deverá ascender “no mínimo” a 80 mil milhões de euros. Do outro, o FMI, que vai financiar um terço do total da ajuda externa a Portugal, não quer ir além dos 60 mil milhões.

Esta divergência resulta da recusa do FMI de financiar os empréstimos de curto prazo portugueses (em bilhetes do tesouro) alegando que constitui uma prática contrária às suas regras internas, o que constitui um problema porque a dívida de curto prazo em Portugal é bastante alta.

Este não é o único ponto de desentendimento entre os membros da troika, mas “é o principal”, frisou ainda a mesma fonte, exprimindo uma forte preocupação pelos riscos de descarrilamento do calendário face às necessidades urgentes de financiamento do país.