Sectores tradicionais

Empresa alentejana de doçaria tradicional entra na distribuição e namora estrangeiro

Daniel Roldão e Lígia Neves promovem produto único
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Daniel Roldão e Lígia Neves promovem produto único Rui Gaudêncio

Produto inspirado no tradicional rebuçado de ovo de Portalegre já entrou nas grandes superfícies comerciais. Objectivo é chegar a 500 lojas em Portugal e tentar o mercado externo.

Os tempos difíceis não assustam Daniel Roldão. Em 2005, o engenheiro zootécnico de 37 anos criou a Sabores de Santa Clara para colocar nas prateleiras das lojas gourmet o rebuçado de ovo de Portalegre, um doce tradicional alentejano cuja receita se mantinha escondida nas cozinhas familiares da região. Agora, pegou em tudo o que aprendeu e decidiu criar um produto de raiz, inspirado nos rebuçados, rentabilizando meios e custos.

Cerca de cinco mil embalagens de Eggos Originais estão desde Novembro passado na grande distribuição, num total de 100 lojas. A intenção é chegar às 500 no final deste ano. "Partindo de um produto tradicional com fabrico artesanal, os Eggos satisfazem uma necessidade de irreverência no universo da doçaria", explica Daniel Roldão resumindo que o novo produto vem de uma "família conservadora, mas tem visão liberal".

O investimento acabou por se diluir nos custos actuais da Sabores de Santa Clara, já que não foi preciso alterar o equipamento necessário à produção. "No fundo, foi tirar partido de toda a experiência que obtivemos com o primeiro produto [os rebuçados]. A estrutura e o equipamento são os mesmos", sublinha.

Ligação à universidade

Daniel Roldão quer gastar "o mínimo" na divulgação dos Eggos nos pontos de venda e já tem previsto o lançamento de outras variações do produto, criadas durante a fase de desenvolvimento, que contou com a colaboração da Escola Superior de Biotecnologia do Porto da Universidade Católica e da Universidade do Algarve.

Até agora, a empresa de Portalegre vendia, apenas, em lojas especializadas, mas com os Eggos estreou-se na secção de pastelaria fresca e sobremesas da grande distribuição que opera em Portugal.

Lígia Neves, directora de estratégia da Sabores de Santa Clara, apresentou o produto aos supermercados como "único em Portugal e no mundo". Com um preço que pode variar entre os 3,99 euros e os 4,99 euros, o novo doce "tem tido boa aceitação", avança, sem adiantar números.

Para além dos rebuçados de ovo de Portalegre e dos Eggos, a pequena empresa alentejana também produz dois xaropes (de capilé e groselha) em parceria com a Quiosques do Refresco, empresa de Catarina Portas e João Regal. Emprega directa e indirectamente cerca de 20 pessoas e até ao final do Verão quer lançar quatro novos produtos. No total, tem 15 em fase de testes.

"Sim, estamos a viver uma crise, mas a nossa postura não pode passar apenas por esta constatação. Nestes tempos surgem novas oportunidades e isso traduz-se em mais criatividade", defende Daniel Roldão. E acrescenta: "A nossa perspectiva é de imenso trabalho".

Com o mercado doméstico a sofrer uma grave contracção económica, o objectivo é chegar a outros destinos. "Estamos a namorar o mercado internacional", revela, referindo-se em concreto ao Eggos.

Produto adequado ao gosto

No total dos produtos comercializados pela Sabores de Santa Clara o peso das exportações "não é expressivo", mas há negociações em curso para reforçar presença além-fronteiras. "O Xarope de Capilé, por exemplo, tem um gosto árabe. Os russos gostam muito de doces, tal como os brasileiros. Estamos a explorar esse leque de possibilidades, adequando sempre o produto ao paladar do consumidor", diz o responsável da companhia.

Daniel Roldão não divulga a facturação da empresa, dizendo apenas que em 2010 ficou dez por cento acima do volume esperado.

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