"A Origem do Mundo" censurado duas vezes seguidas na rede social

Francês ameaça processar Facebook por ter suspendido perfil com quadro de Courbet

"A Origem do Mundo" encontra-se em exposição no Museu d'Orsay, em Paris
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"A Origem do Mundo" encontra-se em exposição no Museu d'Orsay, em Paris DR

O artista dinamarquês Frode Steinicke viu a sua página pessoal no Facebook desaparecer, a 16 de Fevereiro, após ter mudado a sua fotografia de perfil para "A Origem do Mundo", de Gustave Courbet. Alguns dias depois aconteceu o mesmo a um professor francês, que agora quer agir judicialmente contra aquela rede social.

A advogada do internauta censurado fez chegar à delegação francesa do Facebook, na terça-feira, uma notificação que exige a reactivação da conta. Stephen Cottineau explica que o seu cliente se sente injustiçado, tanto mais porque o perfil, com cerca de 800 “amigos”, desapareceu na véspera do seu aniversário.

O professor – pai de três filhos, sublinha a advogada, citada pela AFP – quer ver o perfil activo “dentro de duas semanas”. Mas não é só: exige ser “indemnizado de forma consequente” porque, além da censura, não obteve resposta a todos os e-mails de reclamação enviados para o Facebook.

Stephen Cottineau nota que “a censura cega e a falta de resposta desdenhosa aos seus vários e-mails parecem aplicar-se a alguém que não é digno de consideração ou que teria costumes ou práticas proibidas por lei”.

Os responsáveis pelo Facebook já apontaram para as normas de utilização da rede, que proíbem imagens de nus, por forma a mantê-la segura para ser visitada por crianças. Frode Steinicke, o dinamarquês que ficou sem perfil pela mesma razão, conseguiu reaver a conta, aceitando retirar o quadro de Courbet.

Os defensores de "A Origem do Mundo" – que agora se encontra em exposição no Museu d'Orsay, em Paris – querem, no entanto, que os responsáveis pelo Facebook reconheçam a obra como arte e não como mero nu ou pornografia. Esta é, aliás, um luta recorrente, desde que o francês Courbet (1819–1877) a pintou. A última vez que gerou polémica em Portugal foi em 2009, quando três agentes da PSP apreenderam numa feira de livros em Braga um conjunto de exemplares com o quadro na capa.

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