Dimensão espectacular é cada vez maior, diz director da SIC Notícias

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Repórteres fotográficos foram alvo de restrições paulo pimenta

Restrições ao trabalho dos repórteres fotográficos foram polémicas, num congresso pensado ao milímetro em função da cobertura mediática

Já quase não há segredos para as máquinas organizadoras dos congressos partidários que cada vez mais capricham na forma como preparam e apresentam estas iniciativas que acabam por se transformar, quase sempre, em grandes espectáculos mediáticos. E poder-se-á mesmo dizer que nada é deixado ao acaso, desde as luzes, aos tons, aos cenários, passando pelo palco. Com José Sócrates no leme do partido, o PS passou a olhar para as suas reuniões magnas como um palco mediático e todos os elementos servem para dar um toque de inovação e de modernidade.

As televisões são sensíveis a essa dimensão. "Os congressos são grandes acontecimentos, grandes eventos, que justificam uma atenção especial e os espectadores têm alguma expectativa em relação a um canal de informação e nós temos uma responsabilidade especial até pela posição de liderança que temos e, portanto, acho que é justificada a atenção que lhes demos", declarou ao PÚBLICO António José Teixeira, director de informação da SIC Notícias.

O XVII congresso do PS não escapa a este paradigma da modernidade. Pensado e preparado em apenas um mês e montado em quatro dias. A opção pela Exponor, em Matosinhos, obrigou a alguma imaginação para tornar o recinto atractivo, uma dificuldade que não aconteceu, por exemplo, no conclave de Guimarães, em 2004, onde, lembra Domingos Ferreira, responsável pela organização dos congressos do partido, "o pavilhão multiusos era bonito, o que facilitou a encenação". Desta vez, a aposta foi em tons que vão do lilás ao azul-escuro e um vermelho alaranjado. Um enorme pórtico de entrada nos mesmos tons do cenário que existe no palco, iluminado por dois projectores laterais, dá o mote para o congresso. É aqui que os jornalistas e os repórteres de imagem se concentram para recolher imagens e colocar as primeiras questões a quem chega.Já lá dentro, mas fora do recinto do congresso, onde os repórteres fotográficos não podem circular, todas as colunas foram escondidas com painéis feitos em tecido onde constam as marcas da governação socialista. O ecrã escolhido, diz Domingos Ferreira, "é mais pequeno, mas tem uma qualidade em termos de imagem muito melhor do que o que foi usado no congresso de Espinho".

Mas o que suscitou controvérsia foi o facto de a organização ter impedido que os repórteres fotográficos circulassem pelo recinto do congresso. "Uma estupidez!", desabafaram vários repórteres que cobriram o evento.

Os media respondem com um enorme aparato. Para este congresso foram feitas 400 acreditações a nível de comunicação social, entre jornalistas, repórteres de imagem e técnicos. A RTP disponibilizou oito câmaras, mais três de reportagem, uma equipa de nove jornalistas e dois carros de exteriores. A TVI deslocou para Matosinhos 10 câmaras, uma equipa de quase 70 profissionais e um carro de exteriores. A SIC enviou uma equipa técnica de 25 pessoas, 12 jornalistas, incluindo pivôs e coordenadores, três equipas de reportagem, dois editores de imagem e dois produtores e 10 câmaras, segundo disse ao PÚBLICO o coordenador-geral da SIC Notícias, Pedro Dias. As direcções de informação estão no terreno: Judite de Sousa (TVI), Nuno Santos (RTP) e António José Teixeira (SIC Notícias) estiveram em Matosinhos a acompanhar os trabalhos do congresso.

"Há muito tempo que a SIC Notícias faz congressos num modelo de cobertura que não é de hoje, um modelo que tentamos aproximar muito o espectador daquilo que se está efectivamente a passar", disse ao PÚBLICO António José Teixeira. Mais do que o aparato, diz ,"há uma dimensão espectacular e cénica muito forte neste tipo de eventos. E cada vez mais é assim". O jornalista realça ainda o facto de a oportunidade que "os partidos colocam no modo como organizam o evento e como mantêm ou não à distância" os media e as condições que reservam aos jornalistas para trabalhar. "Nem sempre as condições são as mais adequadas. Neste congresso o espaço disponível é curto e desse ponto de vista há algumas limitações", destaca.