Crítica

Tropa de Elite

Há três anos, "Tropa de Elite" forçou-nos a olhar para o Rio de Janeiro de um modo diferente do habitual. A ficção inspirada na realidade de José Padilha navegava entre o retrato social do Brasil contemporâneo e a vontade de ser uma fita de acção "à americana" - o sucesso no Brasil foi colossal, mas internacionalmente não passou de uma curiosidade que não repetiu o fenómeno "Cidade de Deus".


O que de melhor havia no original era o lado nervoso, urgente, urbano, como o realizador usava a sua formação de documentarista para traçar o tráfico de influências e corrupção que permeavam o Rio de Janeiro. É exactamente isso que volta a ser o melhor de "Tropa de Elite 2", onde Padilha segue o tráfico até aos corredores do poder, mas o efeito de repetição não joga a favor do filme, mesmo que a história tenha ganho em ambiguidade e consistência na sua invocação (assumida) dos grandes "thrillers" políticos dos anos 1970.

O que resta é apenas um filme dinâmico mas convencional, com as mesmas fraquezas (um lado demasiado melodramático, telenovelesco) e forças (o dinamismo e velocidade da encenação, a veracidade dos ambientes) do seu predecessor.

Sugerir correcção