"Desliguem as centrais", gritam os manifestantes de Berlim a Hamburgo

Dezenas de milhares de pessoas exigem fim do nuclear na Alemanha

Mobilização anti-nuclear acontece na véspera das eleições regionais
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Mobilização anti-nuclear acontece na véspera das eleições regionais Pawel Kopczynsk/Reuters

Enquanto o Japão luta por travar a crise nuclear que se seguiu ao sismo e tsunami de há duas semanas, na Alemanha dezenas de milhares de pessoas reúnem-se, neste sábado, para exigir o fim das centrais nucleares no país.

Incentivados pelos Verdes, os alemães juntam-se numa manifestação contra a política nuclear da chanceler Angela Merkel, cuja decisão de suspender o funcionamento das centrais mais antigas consideram poeira para os olhos. Segundo várias sondagens, a maior parte dos alemães viu a medida como uma manobra política.

Os ecologistas alemães exigem não só o encerramento (definitivo) de oito centrais nucleares como o abandono imediato da energia nuclear na Alemanha.

As manifestações de sábado, que se espalham por Berlim, Munique, Colónia e Hamburgo, deverão, segundo os organizadores, juntar cerca de 200 mil pessoas. Acontecem na véspera das eleições nos estados federais da Renânia-Palatinado e em Baden-Wurttemberg, aguardadas com nervosismo pelo Governo de Berlim.

Ao meio-dia, uma hora depois do início do cortejo, os manifestantes continuavam a chegar, em grande número, à Potsdamer Platz, no centro de Berlim.

“Vim aqui exigir o fim das centrais nucleares porque quero morrer de velhice, e não por causa de radiações” disse uma alemã de 53 anos à AFP, sublinhando acreditar que a opinião pública sobre o assunto está a “evoluir”.

“Não podemos continuar a correr o risco de uma catástrofe nuclear”, acrescentou um manifestante de um grupo defensor do ambiente.

Além de gritar “desliguem-nos!”, em alusão ao encerramento das centrais, os manifestantes fizeram um minuto de silêncio pelas vítimas do desastre japonês.

Desde o desastre em Tcherrnobil, o tema da energia nuclear é especialmente sensível na Alemanha e muitos são os que se opõem às centrais.

Esta não é a primeira vez que se assiste a movimentos do género e, ainda há menos de duas semanas, no dia em que Merkel anunciou a supensão das centrais, cerca de 100 mil pessoas, insatisfeitas, saíram às ruas.