Dois mil azulejos seiscentistas roubados de palácio de Vialonga

No palácio funcionou uma extensão do Hospital de Vila Franca de Xira
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No palácio funcionou uma extensão do Hospital de Vila Franca de Xira Público (arquivo)

Perto de 2000 azulejos do século XVII, que representam cenas da vida de Santo António, foram roubados, nas últimas semanas, da capela do Palácio da Flamenga, em Vialonga, concelho de Vila Franca de Xira.

O desaparecimento dos azulejos está a ser investigado pela Polícia Judiciária, tendo o furto sido descoberto quando um grupo de professores e alunos de uma escola da freguesia pediu para visitar o velho palácio, que está desocupado há mais de 20 anos, desde que foi encerrada a extensão do Hospital de Vila Franca de Xira que funcionou nas suas instalações.

O edifício pertence ao património do Estado e está a cargo da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, que cedeu à Câmara de Vila Franca. O município, por sua vez, cedeu-o à Fundação CEBI de Alverca, que ali pretende construir uma unidade de cuidados continuados com capacidade para 150 camas.

A recente decisão do Governo de deixar de devolver os montantes de IVA que recebe por obras de construção de equipamentos desenvolvidas por instituições particulares de solidariedade social poderá, no entanto, inviabilizar esta unidade de saúde.

A capela é considerada a parcela mais notável do Palácio da Flamenga, que foi construído no século XVII. Estava forrada de azulejos e todo o seu interior é também marcado por “um excelente trabalho do século XVII de embrechados de mármore branco, negro e rosa, único no concelho”, refere uma nota da Câmara de Vila Franca de Xira. Já em 2008, os sucessivos roubos de materiais do interior do palácio levaram as autarquias locais a entaipar as portas e janelas com tijolo. Agora, descobriu-se que, através de um buraco feito na parede das traseiras da capela, alguém foi roubando os azulejos, avaliados em mais de 40 mil euros.

Maria da Luz Rosinha, presidente da Câmara Municipal de Vila Franca, admitiu, em recente reunião camarária, que, nas actuais condições, a Fundação CEBI pode desistir de construir ali uma unidade de cuidados continuados. “Neste momento, não há candidaturas abertas para apoios à construção de unidades de cuidados continuados e as que havia tinham uma comparticipação de 750 mil euros. Tendo em consideração o volume financeiro que aquela obra vai atingir, isso não seria impeditivo. A instituição já tinha negociado com a banca, mas a verdade é que a decisão de ter que pagar o IVA de 23 por cento quando estamos a falar de uma obra de 6 a 8 milhões impede completamente o desenvolvimento do projecto”, explicou a autarca. Maria da Luz Rosinha frisou que, neste momento, as uniões de instituições particulares de solidariedade social e de misericórdias “estão a tentar que a taxa de IVA para estas instituições venha a ser de 6 por cento a exemplo das autarquias”, mas até agora sem resultados.