Portugal exclui envolvimento militar

Ministro Luís Amado só admite participar na "dimensão humanitária"

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, garantiu que Portugal não participará em operações militares contra a Líbia e rejeitou que a criação de uma zona de exclusão aérea seja intempestiva. Portugal "não vai ter nenhuma participação militar", disse em Maputo, onde ontem terminou uma visita de dois dias.

Portugal - que votou a favor da resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que autoriza a adopção de "todas as medidas necessárias" para proteger os civis e impor um cessar-fogo - poderá ter uma participação apenas na "dimensão humanitária", tendo em conta que existem muitos deslocados na Líbia, afirmou, em declarações à Agência Lusa.

Luís Amado rejeitou a ideia de que a decisão de estabelecer zona de exclusão aérea à Líbia seja intempestiva e defendeu que é uma forma de manter a pressão sobre o regime para estabelecer diálogo com a oposição e aceitar reformas políticas. A zona de exclusão aérea é também uma forma de garantir a eficácia das sanções impostas anteriormente pelas Nações Unidas ao regime de Trípoli.

Na véspera, o ministro afirmara que o Magrebe e o Médio Oriente são regiões prioritárias para a política externa portuguesa, apesar da turbulência política e social que abala aquela zona. Confrontado pela Lusa sobre o posicionamento do Governo em relação a uma região em que apostou muito nos últimos anos, Amado disse que "são duas regiões de prioridade no relacionamento externo de Portugal, identificadas e assumidas como estratégicas não apenas por este Governo, mas também pelos governos anteriores", disse.

Por isso, afirmou ainda o chefe da diplomacia portuguesa, o executivo vai continuar a acompanhar de perto a evolução da situação nessas regiões, que nos últimos meses foram agitadas por uma série de levantamentos populares contra regimes autoritários.

Ainda antes da resolução de quinta-feira do Conselho de Segurança das Nações Unidas que autoriza o uso da força contra Khadafi, Luís Amado dissera que, na avaliação da comunidade internacional, o regime líbio "acabou" e será votado ao isolamento. "Do ponto de vista da comunidade internacional e da avaliação que faz, o regime de Trípoli acabou. A sua relação com a comunidade internacional será de progressivo isolamento, de total isolamento no futuro."