Ninguém tem o que é preciso para receber Prémio Nacional de Professores?

Três docentes recebem prémios de mérito. Mas o galardão principal do Ministério da Educação ficou por entregar. Júri diz que faz sentido reformular modelo

Tem o valor de 25 mil euros e serve para "galardoar os docentes" que contribuam "de forma excepcional para a qualidade do sistema de ensino". Mas este ano o Prémio Nacional de Professores ficou por entregar. Criado em 2007 pelo Ministério da Educação, a adesão à iniciativa nunca foi grande. E nesta que foi a quarta edição houve apenas cinco candidaturas. O júri, presidido por Roberto Carneiro, entendeu que nenhuma reunia os requisitos necessários para se traduzir numa distinção.

"As escolas têm pouca cultura de competição e não é fácil para um presidente de conselho executivo escolher um professor entre outros para apresentar uma candidatura embora tenha noção clara de que há uns que valem mais do que outros", justifica o ex-ministro da Educação Roberto Carneiro.

"Temos um modelo de avaliação do desempenho que impede que um professor que merece ter Excelente não o tenha porque há quotas", diz, por seu lado, João Dias da Silva, presidente da Federação dos Sindicatos de Educação (FNE). "Não é com um prémio como este que o ministério pode encobrir as dificuldades que todos os dias os professores enfrentam. Por isso, o prémio esgotou-se em si próprio."

Roberto Carneiro admite que faria sentido reformular o modelo. O gabinete da ministra Isabel Alçada limita-se a dizer que "ainda é prematuro falar sobre o prémio do próximo ano".

Para além da distinção nacional, há outras quatro categorias, que têm direito a diplomas de mérito pedagógico, visitas de estudo a instituições de referência e publicação de trabalhos. São elas os prémios Carreira, Integração, Inovação e Liderança.

Ontem, o prémio Carreira foi para José Carlos Peixoto, professor de Língua Portuguesa e de História do 2.º ciclo na Escola Básica Frei Caetano Brandão, em Braga. O de Liderança foi para Adelina Pereira, directora da Escola Básica Domingos Capela, em Espinho. E o de Inovação para Maria do Carmo Leitão, professora do 1.º ciclo, do Centro Es- colar de Lamego Sudeste. O de Integração também não foi atribuído.

Os percursos destes professores são diversos. Carmo Leitão, de 54 anos, começou por trabalhar numa escola sem luz. E deu aulas através da Telescola, com uma televisão que funcionava à conta de um gerador alimentado a petróleo. Mas isso foi no início da carreira. Quando os computadores Magalhães começaram a chegar a Lamego, onde dá aulas, decidiu que estes "não podiam ser meras máquinas de jogos" - que é o que são muitas vezes, acredita. Empenhou-se tanto que no ano passado foi premiada pela Microsoft. E este ano chegou o prémio do ministério. "É um grande orgulho", diz.

Já Adelina Pereira aposentou-se em Outubro. Aos 59 anos, 18 como dirigente escolar, diz que para ser um bom líder é preciso "uma boa dose de humanismo, saber colocar-se no lugar do outro, agir". Orgulha-se de ter construído uma equipa coesa, o que foi fundamental nos últimos anos - marcados por medidas, como o novo modelo de avaliação, que provocaram, nos professores, sentimentos de grande instabilidade: "Foi muito complicado, continua a ser, mas o papel de um líder é fazer com que isto seja o menos doloroso possível, mesmo quando as orientações não são as mais simpáticas."