No Campo Pequeno, mas com o coração na avenida

Greve aos exames. Ainda não é uma proposta oficial dos sindicatos, mas Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional de Professores, advertiu ontem o Ministério da Educação de que esta é uma das hipóteses em aberto. "Os professores podem obrigar a que o calendário de exames seja alterado", disse durante o plenário que reuniu cerca de oito mil no recinto do Campo Pequeno.

A aposta da Fenprof era a de encher o recinto, reunindo ali pelo menos 10 mil docentes. A mobilização não chegou a tanto. Muitos, nomeadamente os contratados, optaram por estar antes na Avenida da Liberdade. Entre os que compareceram, não faltava quem contasse o tempo para seguir o mesmo rumo.

Foram mais de duas horas, com oito intervenções de dirigentes sindicais e um desfile posterior até às instalações do Ministério da Educação, onde os sindicatos foram recebidos pelo secretário de Estado, Alexandre Ventura. Em declarações aos jornalistas, Ventura disse que o ministério poderá apresentar um novo projecto de diploma sobre a organização do próximo ano lectivo. Segundo directores e professores, o projecto existente figura entre o pacote que levará à redução do número de docentes nas escolas.

"Sou professor de Educação Visual e Tecnológica. Estou a lutar pelo meu emprego". A frase foi repetida por vários dos participantes com quem o PÚBLICO falou. Metade dos docentes de EVT ficaria, já em Setembro, sem aulas se o Parlamento não tivesse entretanto votado pela cessação de vigência da reorganização curricular do ensino básico aprovada pelo Governo. "Em Setembro, será seguramente tarde para impedirmos as malfeitorias que estão em preparação. É preciso que todos compreendam que, para irmos a tempo e evitar o pior, é ainda este ano que teremos de fazer a luta maior", proclamou o secretário-geral da Fenprof. No próximo dia 2, voltarão à rua. Clara Viana