Seguro foi um dos poucos deputados do PS que bateram palmas a Cavaco

Ao contrário do que aconteceu há cinco anos, quando Cavaco Silva tomou posse para um primeiro mandato em Belém, desta vez a esmagadora maioria da bancada do PS não se levantou e não se juntou ao PSD e ao CDS-PP nos aplausos a Cavaco Silva quando este terminou a sua intervenção.

O único deputado socialista a levantar-se para aplaudir o Presidente da República foi José Bianchi, eleito pelo círculo de Vila Real.

António José Seguro e Jorge Seguro Sanches também aplaudiram Cavaco Silva, embora permanecendo sentados.

Além do PS, também as bancadas do BE, PCP e PEV ficaram sentadas sem bater palmas ao Presidente da República durante toda a sessão solene.

Em contraste, os grupos parlamentares do PSD e do CDS-PP, partidos que apoiaram a recandidatura de Cavaco Silva, interromperam várias vezes o seu discurso com palmas e no final levantaram-se para o aclamar.

O hemiciclo ficou assim dividido em duas metades.

O primeiro aplauso por parte do PSD e do CDS-PP aconteceu quando o recém-empossado chefe de Estado defendeu que Portugal não tem condições para financiar "grandes investimentos" que "não contribuem para o crescimento da produtividade e que têm um efeito temporário e residual na criação de emprego".

A consideração por parte de Cavaco Silva de que "em vários sectores da vida nacional, com destaque para o mundo das empresas, emergiram nos últimos anos sinais de uma cultura altamente nociva, assente na criação de laços pouco transparentes de dependência com os poderes públicos" suscitou novas palmas do PSD e do CDS-PP.

Quando Cavaco Silva disse que muitos agentes políticos portugueses "não conhecem o país real, só conhecem um país virtual", e que "há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos" ouviram-se mais uma vez palmas das bancadas mais à direita.

E houve também aplausos do PSD e do CDS-PP quando o Presidente defendeu a necessidade de "critérios de mérito" nas nomeações para cargos públicos e que "todos os estabelecimentos de ensino que se destaquem pelos seus resultados têm de merecer o reconhecimento da sociedade e do Estado".

Depois de terminada a cerimónia de tomada de posse, o líder parlamentar do PS, Francisco Assis, justificaria a ausência de aplausos por parte da maioria dos deputados socialistas considerando que Cavaco Silva fez "um discurso de facção, um discurso sectário" e não falou como Presidente de todos os portugueses.

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