Pousada histórica com estilo moderno vai nascer no Terreiro do Paço daqui a três anos

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A nova unidade hoteleira terá 80 quartos, restaurante, bar, salas de reuniões e talvez piscina interior Nuno Ferreira Santos

Sociedade Frente Tejo concessionou por 50 anos à Enatur, através do grupo Pestana, todo um quarteirão que ainda é ocupado por instalações do Ministério da Administração Interna

Uma unidade da rede Pousadas de Portugal, inserida num edifício histórico do Terreiro do Paço, deverá abrir ao público o mais tardar daqui a três anos, prevê a administração do grupo Pestana. A Sociedade de capitais públicos Frente Tejo, à qual o imóvel foi entregue pelo Governo em 2008, concessionou na sexta-feira o espaço à Enatur por 50 anos. A gestão do hotel ficará a cargo do grupo Pestana.

A futura unidade hoteleira, prevista para ter 80 quartos, situar-se-á na ala ocidental do Terreiro do Paço, em espaços parcialmente ainda ocupados por serviços do Ministério da Administração Interna - entre os quais uma esquadra da PSP -, que já há algum tempo estão em processo de transferência para a parte oriental da praça, na zona também ocupada pelo Ministério das Finanças. Para aquela nova localização está igualmente prevista uma "esquadra policial do século XXI", conforme descreve a resolução do Conselho de Ministros nº 78/2008.

Castelão Costa, presidente do grupo Pestana Pousadas, fala num design moderno para a unidade, que terá restaurante, bar, zonas para reuniões e, "de preferência", piscina interior, para aproveitar a época baixa. "O que dependerá das entidades encarregues de licenciar o projecto, que ainda não passou para o papel", acrescentou.

O edifício do antigo Tribunal da Boa-Hora, a pouco mais de uma centena de metros, e já desocupado pelos serviços judiciais, será o próximo a ser objecto de contrato de concessão com finalidade hoteleira. Todavia, este processo continua a aguardar a intervenção do Estado, "uma vez que o imóvel ainda não foi afecto às atribuições da Frente Tejo", disse ao PÚBLICO o administrador da sociedade, Biencard Cruz.

Segue-se a Boa-Hora

As concessões de um e outro constituirão receitas para a prossecução do projecto de valorização da frente ribeirinha de Lisboa. O valor não foi confirmado por qualquer das partes, apesar da insistência do PÚBLICO, mas as duas concessões juntas ultrapassam os 17,2 milhões de euros, conforme contabilizado pela Frente Tejo no Plano de Actividades de 2009.

Outras fontes de financiamento tardam em acorrer em favor da revitalização da Baixa pombalina, caso da alteração de usos do torreão poente do Terreiro do Paço, desafectado pelo Exército para ser ocupado por um restaurante de grande dimensão. Para o concurso público, concluído em Janeiro, não houve qualquer proposta.

O contrato de concessão do edifício do MAI foi assinado na sexta-feira, horas depois de o primeiro-ministro ter inaugurado o Pátio da Galé, um novo espaço público no Terreiro do Paço. Mas há muito que Frente Tejo e o grupo Pestana tentavam acertar agulhas. Castelão Costa explicou que houve questões burocráticas a ultrapassar. Biencard Cruz respondeu a um pedido de esclarecimento do PÚBLICO dois dias antes da assinatura do acordo, dizendo que a minuta do contrato de concessão "foi remetida pela Frente Tejo, para assinatura da Enatur, em meados do ano de 2010".

A Enatur, de capital maioritariamente público, concessionou a exploração da marca Pousadas de Portugal ao grupo Pestana, que detém 49 por cento do capital da sociedade.