CP funde Regional e Longo Curso numa só unidade de negócios

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Integrar para poupar

A medida poderá permitir poupança de recursos e de custos e irá aumentar a qualidade da oferta que é feita aos passageiros

A administração da CP decidiu fundir num único centro de resultados a CP Regional e a CP Longo Curso, tendo para o efeito criado um grupo de trabalho destinado a estudar os efeitos dessa medida. A ideia é que a existência de um único centro de resultados pode melhorar a gestão de todos os serviços que estão hoje dispersos por aquelas duas unidades de negócios.

Para a empresa, as vantagens são óbvias, a começar pela eliminação das chefias (em vez de duas comissões executivas passaria a haver apenas uma) e pela contenção de custos devido à racionalização e simplificação das estruturas operacionais e administrativas de ambas as unidades.

Haverá, também, uma maior flexibilização na gestão do pessoal (maquinistas e revisores), bem como do próprio parque de material circulante. Por exemplo, se um comboio avaria, não é hoje fácil pedir emprestada uma locomotiva para prestar socorro se esta for de outra unidade de negócios. Para os passageiros, a integração das duas unidades permite uma oferta mais alargada, uma melhor coordenação dos horários e um tarifário mais simples e mais justo.

Actualmente, a CP Regional e a CP Longo Curso comportam-se como se fossem duas empresas autónomas, trabalhando de costas voltadas, construindo ofertas separadas e sem ligações entre os comboios. A sua integração obrigará a que haja melhores correspondências e poderá levar a corrigir erros nos preços dos bilhetes.

Por exemplo, um passageiro que viaje num Regional e num Intercidades não sabe que está a pagar dois bilhetes a duas unidades de negócios diferentes, o que faz com que a viagem seja mais cara. O mesmo trajecto com um comboio de categoria inferior e com um transbordo sai mais caro do que uma viagem directa num comboio de qualidade superior.

A CP tem ainda as unidades de negócios de Lisboa e Porto, mas essas estão destinadas a serem concessionadas a privados, de acordo com as intenções anunciadas pelo Governo. E a CP Carga já há dois anos que deixou de ser uma unidade de negócios para passar a ser uma sociedade anónima detida a 100 por cento pela empresa mãe.

A CP Longo Curso e a CP Regional são, curiosamente, as duas unidades de negócios mais contrastantes ao nível dos resultados. Em 2009, o Longo Curso (composto pelo Alfas Pendulares e Intercidades) foi a única unidade que deu lucros operacionais (1,8 milhões de euros resultantes de proveitos de 88,3 milhões e despesas de 86,5 milhões), tendo uma taxa de cobertura de 102 por cento.

Já a CP Regional é a que acumula maiores prejuízos. Cada euro nela dispendido tem um retorno inferior a 36 cêntimos. Em 2009, despesas de 88 milhões de euros geraram receitas de 31,4 milhões de euros, o que se traduziu num prejuízo de 56,6 milhões de euros. Os seus comboios operam em todo o país, incluindo na lucrativa linha do Norte, mas também nas linhas do interior, onde a procura é fraca.

Sucessivas administrações da CP têm apresentado aos governos propostas de contratualização de serviço público para que o Estado cubra os prejuízos de transportes não rentáveis, mas nunca nenhum assumiu qualquer compromisso (até porque dificilmente poderiam contar com a generosidade do Ministério das Finanças nesse sentido). O presidente da CP, José Benoliel, diz que a integração não impede essa contratualização, uma vez que ela pode ser feita linha a linha e não por unidades de negócios.

Em 2009 a CP teve 217,3 milhões de euros de prejuízo, sendo esperado em 2010 um agravamento de dez a vinte milhões de euros (as contas ainda não estão fechadas). Mas, mesmo perante este descalabro, as indemnizações compensatórias do Governo não passam de trocos e são iguais, em 2010, às de 2009: apenas 34,7 milhões de euros. Só os encargos da dívida são superiores a 135 milhões de euros.

O passivo da transportadora ferroviária portuguesa é de 3,8 mil milhões de euros.