Proposta hoje apresentada publicamente

Portugal vai ter Observatório Nacional de Saúde Sexual

A ideia é, por exemplo, desenvolver estudos relativos às disfunções sexuais ou educação sexual
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A ideia é, por exemplo, desenvolver estudos relativos às disfunções sexuais ou educação sexual Foto: Miguel Manso/arquivo

Portugal irá passar a contar com um Observatório Nacional de Saúde Sexual, à semelhança do que acontece já noutros países.

A proposta de criação deste novo organismo vai ser hoje apresentada publicamente, no âmbito das jornadas da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica (SPSC), que reúnem vários especialistas e pretendem debater o estado da saúde sexual no nosso país. A Universidade de Aveiro (UA), onde decorrem as jornadas, já se disponibilizou para albergar o novo observatório. O objectivo passa por desenvolver estudos e recolher dados objectivos sobre a saúde sexual no nosso país e, consequentemente, avançar com propostas de actuação.

"A ideia é que o observatório funcione em parceria com várias entidades, como é o caso da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica ou da Associação para o Planeamento da Família, desenvolvendo estudos relativos às disfunções sexuais, educação sexual, direitos sexuais, infecções sexualmente transmissíveis", avançou ao PÚBLICO Pedro Nobre, presidente da SPSC. "Permitirá uma análise transversal, com todos os especialistas da área da saúde sexual", revelou ainda. Mas mais do que "fazer uma radiografia" da situação actual do país em matéria de saúde sexual, o futuro organismo nacional pretende, "a partir dos dados apurados, propor estratégias e propostas de intervenção", especificou o também coordenador do SexLab - unidade laboratorial de investigação em sexualidade humana, que funciona na universidade aveirense, e que está já a desenvolver vários estudos na área da Sexologia.

A proposta que hoje será apresentada na UA, no âmbito dos trabalhos que contarão com a participação do director-geral da Saúde, Francisco George, "está ainda numa fase embrionária", admitiu Pedro Nobre, muito embora os objectivos de actuação estejam já bem definidos. Exemplo disso é a intenção de colocar o futuro observatório nacional a trabalhar em rede com organismos congéneres internacionais, nomeadamente "a Associação Mundial de Saúde Sexual, que tem um projecto que assenta numa base de dados sobre saúde sexual", revelou o presidente da SPSC.

Nobre garante que já vai existindo em Portugal um conjunto de organizações e investigadores com trabalho de investigação feito em matéria de sexologia. Caberá ao observatório "tentar usar todo este know-how e recursos humanos em prol de um objectivo comum", argumentou, acrescentando que um dos parceiros estratégicos do futuro organismo terá de ser, certamente, o Ministério da Saúde.