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PSP e os incidentes em Alvalade: “Se fossem cidadãos ingleses, não estavam no estádio”

A Polícia lamenta que os adeptos violentos não sejam impedidos de entrar nos estádios
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A Polícia lamenta que os adeptos violentos não sejam impedidos de entrar nos estádios Reuters

O comissário João Pestana, director da Unidade Regional de Informações Desportivas (URID) de Lisboa, revelou nesta sexta-feira que alguns dos adeptos envolvidos nos incidentes com as forças de segurança, durante o jogo entre Sporting e Benfica em Alvalade, tinham antecedentes de mau comportamento em eventos desportivos.

“Alguns dos adeptos envolvidos nos incidentes de segunda-feira, se fossem cidadãos ingleses, não estavam no estádio”, disse João Pestana, referindo-se à prática habitual em Inglaterra de proibir adeptos violentos de entrar nos recintos desportivos.

João Pestana lembrou que a legislação portuguesa também permite este tipo de sanções, mas raramente têm sido aplicadas interdições de entrada em estádios. O comissário revelou que, segundo os dados de que a Polícia de Segurança Pública dispõe, apenas duas pessoas foram proibidas de aceder a recintos desportivos entre 2003 e 2010.

“O problema não é de legislação, é de aplicação da mesma”, argumentou este responsável da PSP, durante um seminário sobre segurança no futebol, organizado pela Liga de Clubes.

Questionado sobre a intervenção policial nas bancadas de Alvalade, João Pestana recusou fazer muitos comentários, alegando que está a decorrer uma investigação, mas deixou uma garantia.

“Alguns dos adeptos envolvidos tinham um histórico relevante de comportamentos inadequados, associados a violência no desporto”, acusou, sublinhando que alguns deles vão estar quarta-feira na Luz, quando Benfica e Sporting se defrontarem nas meias-finais da Taça da Liga.