Voltaram

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É Fevereiro e já voltaram as andorinhas. Estou a ouvi-las agora. Voaram 8 mil quilómetros para cá estar. Nunca chegaram tão depressa.

Obrigado, andorinhas, vindas da África do Sul que, tendo chegado ao Algarve e continuado até ao Alentejo, tenham teimado em continuar até Colares, até à minha janela. Sinto a sorte que tenho, perante o pouco que vos ofereço e o muito que me trazem e alegram.

Também elas, pelo chilreio e pelas caligrafias que escrevem no céu, parecem frenéticas de felicidade, como se tivessem tido medo que este lugar tivesse sido destruído enquanto estiveram fora. Não há euforia como a do passageiro ausente que volta e é perdoado pela ausência, pela teimosa permanência do lugar abandonado.

É uma grande viagem que elas fazem e, quando chegam, voam mais do que voaram - dando voltas e piruetas escusadas, sentindo-se desobrigadas de voar num só sentido, a direito até Portugal, livres. Dessa libertação do destino vem uma histriónica euforia, linda de se ver, em que parecem estar a fazer voos de aquecimento e exercícios de estilo, como quem ainda vai viajar.

No dia em que voltaram, a Maria João disse-me que viu bandos de andorinhas em Lisboa. Na Segunda Circular, aproveitando o limite de velocidade: não estamos a falar de aves amadoras. Distribuem-se bem as andorinhas. A ocupação até parece combinada, mais para espalhar o encanto do que para aligeirar o encargo.

Voltaram. Acabou o Inverno. São as nossas melhores visitas. Sejam bem-vindas.