Concurso televisivo

Jeopardy: Super-computador da IBM bate concorrentes humanos

Para dar respostas correctas, o Watson contou com uma base de dados equivalente a um milhão de livros ou, por outras palavras, 200 milhões de páginas de informação
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Para dar respostas correctas, o Watson contou com uma base de dados equivalente a um milhão de livros ou, por outras palavras, 200 milhões de páginas de informação DR

Os dois concorrentes humanos que enfrentaram o super-computador Watson, da IBM, numa edição especial do popular concurso Jeopardy não conseguiram bater a máquina.

Watson foi mais rápido e mais certeiro que Ken Jennings e Brad Rutter, os dois humanos convidados a tentarem bater o super-computador. Os dois homens tinham feito história naquele programa televisivo, depois de terem arrecadado um número recorde de pontos e vitórias em ocasiões anteriores. Ken Jennings venceu 74 sessões de seguida - o maior número de vitórias consecutivas de sempre - e Brad Rutter tinha levado anteriormente para casa o maior prémio alguma vez alcançado no programa: mais de três milhões de dólares.

Por ter conseguido derrotar os dois humanos, o Watson ganhou, na noite de ontem, um prémio global de um milhão de dólares, que a IBM vai entregar a obras de caridade. O segundo classificado recebeu um total de 300 mil dólares e o terceiro 200 mil.

“Desejava ganhar com todas as minhas forças, porque era o equivalente a salvar a dignidade da minha espécie”, ironizou Jennings depois do final do programa, que foi gravado em Janeiro na sede da IBM em Yorktown Heights (Nova Iorque).

A máquina - chamada Watson como forma de homenagem ao fundador da IBM, Thomas J. Watson - recorreu à sua inteligência artificial, sem estar ligado à Internet. A máquina foi desenhada como um sistema de respostas a perguntas feitas em linguagem natural.

Para dar respostas correctas, o Watson contou com uma base de dados equivalente a um milhão de livros ou, por outras palavras, 200 milhões de páginas de informação.

O Jeopardy é encarado como o desafio final no universo da inteligência artificial, uma vez que este jogo está cheio de pistas subtis, ironias, segundos sentidos e outras complexidades que davam, em teoria, vantagem aos humanos.

Durante as três sessões ficou claro que Watson foi quase sempre mais rápido que os humanos a carregar no botão que permite apresentar uma resposta. Fazia-o em milésimas de segundo, ao passo que os concorrentes em carne e osso demoravam sempre um pouco mais. Recorde-se, porém, que o computador estava programado para não carregar no botão em caso de não saber a resposta, porque caso contrário, se tocasse no botão e respondesse erradamente ou ao acaso, perderia dinheiro e pontos.

A máquina não evitou, porém, algumas respostas desastrosas, como uma em que respondeu “Toronto” (no Canadá) quando a resposta correcta pedia o nome de uma cidade dos Estados Unidos da América.

A tecnologia por detrás do Watson poderá, no futuro, ter a capacidade de analisar informação de milhões de recursos diferentes e, por exemplo, auxiliar os médicos a fazerem diagnósticos correctos em fracções de segundo.

Esta não foi a primeira vez que a IBM colocou as suas máquinas a defrontar humanos. A mais famosa ocorreu em 1997, quando o super-computador Deep Blue derrotou o campeão de xadrez Garry Kasparov. Para poder competir neste jogo de tabuleiro, a IBM equipou uma máquina com um processamento hiper-veloz e que conseguia calcular 200 milhões de movimentos de xadrez por segundo tendo por base um problema fixo.

Notícia corrigida às 14h20