Antigas piscinas dos Olivais, Campo Grande e Areeiro transformadas em ginásios com spa

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A piscina do Areeiro será demolida para dar lugar a este projecto dr

Fechados há quatro anos, históricos equipamentos de Lisboa deverão reabrir no Verão do ano que vem, com preços módicos e horários alargados

As antigas piscinas dos Olivais, Campo Grande e Areeiro irão reabrir no Verão de 2012 transformadas em modernos ginásios com preços módicos e horários alargados. Essa é, pelo menos, a promessa da Câmara de Lisboa, que deu ontem a conhecer os projectos para estes históricos equipamentos desportivos.

Além de nadar, vai ser possível relaxar nos spas ou puxar pelo físico nos ginásios que vão ser construídos dentro dos antigos edifícios, encerrados vai para mais de quatro anos pela autarquia e vandalizados desde aí.

Como não tinha dinheiro para reabilitar os recintos, o município abriu um concurso público internacional para realizar uma parceria público-privada. Ganharam duas empresas espanholas da especialidade que, em troca de concessões por 40 anos, vão pagar obras de transformação que totalizam 22,5 milhões de euros. Além disso, vai transferir três por cento dos lucros anuais para a câmara.

No caso dos Olivais e do Campo Grande, a cargo do grupo Ingesport, um passe individual para frequentar o complexo desportivo custa 35 euros mensais, ao passo que o livre trânsito para uma família de dois adultos e uma criança fica por 45 euros. Ainda há descontos para jovens e idosos. Funcionará das 7h às 23h, à semana.

Já o health club do Areeiro, situado na Avenida de Roma, será explorado pela firma Sidecu, com o passe individual a 32 euros e o familiar a 40. "Estas empresas apostam no baixo custo e na utilização maciça, tendo as famílias como alvo preferencial", disse o vereador do Desporto, Manuel Brito.

A Câmara de Lisboa garantiu que os projectos de transformação preservam a identidade e a memória destes equipamentos. Em rigor, a piscina do Areeiro vai ser completamente demolido para dar lugar a um edifício de três pisos, um dos quais enterrado.

Olivais será coberta

No Campo Grande, à obra de Keil do Amaral serão acrescentados 5000 metros quadrados de construção, num edifício de três andares que deverá albergar, além de uma piscina de 25 metros, um tanque de aprendizagem para bebés, uma sala de fitness de 1000 metros quadrados, jacuzzi e um estacionamento semi0wenterrado de 220 lugares. A Ingesport gostava de "colonizar o jardim e convertê-lo numa zona desportiva ao ar livre, mantendo a vegetação".

Também nos Olivais será refeita e coberta a piscina de 50 metros que sempre esteve ao ar livre. A descoberto ficará só o tanque de saltos. E a segunda piscina, construída já neste século e encerrada por deficiências de funcionamento, será suprimida. Segundo Manuel Brito, a Câmara de Lisboa teve de devolver à União Europeia o meio milhão de euros que tinha recebido para financiar este equipamento, uma vez que cinco anos depois de inaugurado ele se revelou imprestável.

O grupo Ingesport promete manter intacto o aspecto exterior do edifício principal dos Olivais, bem como outros pormenores arquitectónicos característicos do recinto.

Sem parecer do Igespar

Quando, em 2006, a autarquia anunciou o abate das velhas piscinas do Campo Grande, Areeiro e Olivais foram várias as vozes que se levantaram contra a decisão. A então presidente da Ordem dos Arquitectos e hoje vereadora de Lisboa, Helena Roseta, escreveu ao presidente da câmara de então - Carmona Rodrigues - chamando a atenção para a importância das três peças arquitectónicas. Embora desenhadas por nomes menos sonantes - Alberto José Pessoa (Areeiro), Aníbal Barros da Fonseca e Eduardo Paiva Lopes (Olivais), os equipamentos da Avenida de Roma e da zona oriental nem por isso deixam de suscitar admiração entre os arquitectos que defendem a preservação do património do séc. XX. Segundo o vereador do Desporto, nenhuma destas obras necessita de autorização do Instituto do Património Arquitectónico.

Questionado sobre o atraso na reabertura das piscinas, que este executivo camarário tinha anunciado para 2011, o autarca invocou o facto de o primeiro concurso público ter ficado deserto e também um contexto económico e político desfavorável.